Crítica

Irmãos Pimenta em Acapulco

Imaginário americano e ideia portuguesa em "Nº1 In Acapulco", o óptimo álbum de estreia do projecto Paco Hunter dos irmãos Pimenta (Type, Zany Dislexic Band, PZ).

Os irmãos Zé Nando Pimenta e Pedro Pimenta não são ilustres desconhecidos. Têm estado por trás de algumas das aventuras mais singulares da música que vai sendo feita em Portugal no contexto da editora Meifumado. Zany Dislexic Band, Type + Kalaf, Pplectro ou PZ foram algumas das identidades assumidas por ambos nos últimos anos. Quem quiser tomar contacto com estes projectos, e outros emergentes, poderá consultar a compilação "Meifumado - 5 anos 13 merdas", editada há cerca meses.

O sentido de humor, o gosto pela irrisão, o desejo de evasão sempre estiveram presentes nas produções onde ambos se envolveram, mas nunca como no projecto Paco Hunter essa aspiração foi tão nítida. "Nº 1 In Acapulco" é uma fantasia, ou mero ponto de partida, para ambos, na companhia de alguns cúmplices, desenharem um universo cálido e exótico com alusões à country, folk, jazz, funk, bossa ou rock, mas de forma distanciada, expondo doses semelhantes de autenticidade e ironia. Nesse sentido, é um disco que nos transporta para espaços, tempos e personalidades norte-americanas, sem sair de Portugal, de tal forma a vontade de escape parece constituir uma reacção ao aqui e agora. Há rotações instrumentais a velocidades variáveis, uma voz (Pedro Pimenta) grave, um balanço físico narcótico e um clima "caliente" que se cola à pele.