Caster Semenya é pseudo-hermafrodita

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Os testes preliminares tinham já adiantado que Caster Semenya possuía níveis de testosterona três vezes superiores aos que normalmente se detectam num organismo feminino Michael Dalder/Reuters (arquivo)

Os exames ginecológicos a Caster Semenya concluíram que a atleta sul-africana é pseudo-hermafrodita. Os testes revelam que Semenya não tem ovários nem útero, mas tem testículos ocultos internamente. Estes resultados poderão ameaçar a fulgurante carreira da adolescente sul-africana, que se tornou campeã do mundo dos 800 metros nos últimos campeonatos do mundo de atletismo, em Berlim.

Os exames levados a cabo concluíram que Caster Semenya é portadora de uma deficiência cromossomática que lhe confere, simultaneamente, características masculinas e femininas. Um pseudo-hermafrodita só tem ou testículos ou ovários (gónadas de um único tipo) e os genitais externos pertencem aos do outro sexo, enquanto num hermafrodita há simultaneamente tecido ovárico e testicular.

De acordo com os media australianos, citados pelo “Daily Telegraph”, os testes médicos revelam que a atleta não tem ovários nem útero, mas possui testículos – os órgãos sexuais masculinos responsáveis pela produção de testosterona – ocultos internamente, atrás da vagina.

Os testes preliminares tinham já adiantado que Caster Semenya possuía níveis de testosterona três vezes superiores aos que normalmente se detectam num organismo feminino.

A Federação Internacional de Atletismo (IAAF) recebeu os resultados dos testes à identidade sexual de Semenya esta semana, mas recusou-se a confirmar as conclusões até que estas fossem confirmadas por um painel de médicos e peritos independentes.

A atleta, que esta semana apareceu na capa de uma revista do seu país envergando um vestido preto sem mangas, maquilhada e penteada, já foi informada dos resultados.

Pierre Weiss, da Federação Internacional de Atletismo, estimou que é claro que Caster é uma mulher, “embora talvez não a cem por cento”. “Temos que ver se ela não fica em vantagem pelo facto de ficar entre os dois sexos, comparada com as outras atletas”.

A IAAF terá agora que decidir se a atleta poderá ou não conservar a sua medalha de ouro ganha em Berlim, nos 800 metros femininos. De acordo com o “Daily Telegraph”, é possível que a sul-africana mantenha a medalha, mas poderá vir a ser impedida de participar em futuras provas femininas.

Notícia corrigida às 12h50
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