Santarém

"SOS Alviela" ensina população a identificar sinais de poluição

A iniciativa pretende deixar claro junto dos eventuais poluidores que estão sob vigilância
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A iniciativa pretende deixar claro junto dos eventuais poluidores que estão sob vigilância PÚBLICO

Água mais escura, espuma e peixes à superfície de boca aberta são sinais a que a população de Vaqueiros (Santarém) vai estar particularmente atenta durante o mês de Setembro, para evitar novas mortandades de peixe no Alviela.

Os sinais que os jovens da paróquia, pescadores, caçadores e habitantes da localidade aprenderam quinta-feira a identificar, numa acção desenvolvida por técnicos da Câmara Municipal de Santarém, vão permitir que estes "vigilantes" do Alviela lancem o alerta junto das autoridades assim que suspeitem da existência de uma descarga poluente no rio.

A iniciativa, designada "SOS Alviela", visa salvar as espécies autóctones existentes no rio, sobretudo a boga portuguesa, inscrita no livro vermelho das espécies em risco e que uma investigação realizada em Agosto comprovou existirem no rio (foram encontrados dois exemplares), disse à agência Lusa a chefe de Divisão de Resíduos e Promoção Ambiental da Câmara Municipal de Santarém.

"É incrível como um rio poluído possui uma biodiversidade riquíssima que urge preservar", disse Maria João Cardoso.

Segundo afirmou, esta iniciativa pioneira visa salvaguardar as espécies autóctones enquanto não se resolvem os problemas das fontes poluidoras (a Estação de Tratamento de Águas Residuais de Alcanena e as suiniculturas) e deixar claro junto dos eventuais poluidores que estão "sob vigilância".

A acção de formação junto da população, que teve também uma vertente pedagógica, ensinando as pessoas a saberem identificar as espécies, em particular distinguindo as autóctones das exóticas, é complementada por um "manual de procedimentos para salvamento das espécies autóctones".

"Sempre que for dado um alerta (junto das autoridades referenciadas - GNR, Administração de Região Hidrográfica, autarquia), os exemplares das espécies autóctones são retirados e colocados em quatro tanques de rega cedidos por agricultores locais, onde permanecerão até existirem condições para serem devolvidas ao rio", disse.

Maria João Cardoso disse que a acção de vigilância do rio, no ponto em que entra no concelho de Santarém, vai decorrer diariamente, de segunda a sábado, de manhã e ao fim do dia, até ao fim de Setembro, mês em que historicamente se têm registado mais episódios de mortandade (como a de 8 de Setembro de 2008), quer pela existência de descargas quer pela redução do caudal do rio e ainda pelas elevadas temperaturas.

Maria João Cardoso destacou o trabalho que tem vindo a ser realizado pela autarquia em defesa do Alviela, e que tem envolvido vários parceiros, como é o caso do Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA), através da unidade de investigação liderada por Vítor Almada, e da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, cujo Projecto Rio, liderado por Pedro Teiga, inseriu este curso de água.

"Até aqui, quando havia uma descarga, a Câmara limitava-se a recolher os peixes mortos e a enviá-los para aterro. Agora procuramos mitigar o impacto quando há descargas, já que não as podemos evitar, e queremos que os poluidores saibam que o rio não está só", afirmou.