Três feridos, um dos quais em estado grave

Cinco vítimas mortais: buscas terminaram na praia Maria Luísa

A arriba que aluiu apresentava sinais de perigo de derrocada e encontrava-se sinalizada
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A arriba que aluiu apresentava sinais de perigo de derrocada e encontrava-se sinalizada Carlos Brito/Reuters

Cinco pessoas morreram e três ficaram feridas, uma das quais em estado grave, na sequência de uma derrocada esta sexta-feira na praia Maria Luísa, em Albufeira. As vítimas são um homem de 60 anos, que faleceu a caminho do hospital, uma mulher de 38 anos que estava em estado crítico no Hospital de Faro, e mais três mulheres que estavam soterradas. O INEM deu por terminadas as buscas às 22h00.

Duas das vítimas mortais que foram retiradas do meio das rochas tinham menos de 25 anos. A outra estava na casa dos 50 anos, segundo fonte do Instituto Nacional de Emergência Médica. Os três feridos são duas mulheres e um homem de 35 anos que foi levado para o Hospital do Barlavento, em Portimão. As vítimas mortais, de acordo com o comandante distrital de operações de socorro de Faro, Vaz Pinto, são de nacionalidade portuguesa e as autoridades concentram-se agora na sua identificação por familiares.

O responsável do INEM do Algarve, Richard Glied, garantiu que as vítimas que ficaram soterradas "não tinham hipótese de sobrevivência", mesmo que tivessem sido assistidas com todos os meios logo após o acidente.

O responsável pela condução das operações, comandante Marques Pereira, explicou que as buscas foram terminadas porque "toda a área onde caíram os desprendimentos da arriba foi batida e não deve haver mais vítimas no local". O comandante adiantou que a hipótese de a maré ter levado um corpo "foi acautelada" porque "foi feito balizamento no mar com redes" para evitar a situação.
A área onde ocorreu a derrocada, de acordo com Marques Pereira, vai ficar interdita até domingo, altura em que será demolida a parte da arriba que não caiu.

O deslizamento de rochas ocorreu pelas 11h25 na Praia Maria Luísa, à qual se tem acesso pedonal através do empreendimento turístico Club Med.

No local estão elementos dos bombeiros de Faro e Albufeira, da Polícia Marítima, do INEM e da Protecção Civil. Seis ambulâncias, duas VMER e uma viatura de intervenção em catástrofes foram igualmente mobilizadas para a Praia de Maria Luísa, onde está montado um posto médico avançado.

O Presidente da República já esteve no local do acidente, bem como o secretário de Estado da Protecção Civil, o presidente da Câmara de Albufeira e o Comandante de Operacional Distrital de Socorro de Faro.

O primeiro-ministro, José Sócrates, cancelou entretanto a visita agendada a uma escola secundária de Albufeira para se deslocar até ao local e acompanhar as operações de socorro. O Ministro da Administração Interna e o do Ambiente também estiveram no local.

O Bloco de Esquerda cancelou o comício marcado para esta noite em Albufeira, por respeito às vítimas do acidente.

Instabilidade da falésia é há muito conhecida

A instabilidade da falésia junto à Praia Maria Luísa é há muito conhecida pelos moradores locais e ignorada pelos turistas, que continuam a procurar aquele areal durante as férias, e a construção de um percurso pedonal veio adensar as preocupações.

Em Maio deste ano, o PÚBLICO avançava que exactamente no local onde hoje ocorreu o acidente tinha sido colocado um aviso para "arribas instáveis", acompanhado do sinal de perigo, a assinalar o início de um percurso pedonal com cerca de um quilómetro pela crista das falésias entre as praias da Maria Luísa e dos Olhos d'Água, em Albufeira.

Na altura, os moradores da zona contestavam a iniciativa, protestando contra o facto de os turistas entrarem pelos relvados das suas vivendas para acederem ao areal e a falta de segurança existente no percurso pedonal construído numa zona de risco (a obra teve um investimento de 170 mil euros, comparticipado em 70 por cento por fundos comunitários).

Questionado pelo PÚBLICO sobre os riscos que a obra poderia trazer nos Olhos d'Água/Maria Luísa, nomeadamente acelerar a desagregação das falésias, pelo aumento de utilizadores do percurso, Sebastião Teixeira, da Administração da Região Hidrográfica do Algarve, observou que "a erosão nas arribas é causada, essencialmente, pelos efeitos da chuva e do vento, não é como nas dunas". Além disso, frisou, "se não houvesse arribas, não havia praias".

Hoje, o comandante Marques Pereira da Autoridade Marítima sublinhou que a arriba que aluiu apresentava sinais de perigo de derrocada e encontrava-se sinalizada. "Esta era das situações mais graves. O arenito da rocha era bastante frágil e havia um risco de derrocada a ponto de levar a Autoridade Marítima a colocar avisos", observou.

O comandante da capitania sublinhou que "era previsível" a queda da arriba e frisou que as pessoas devem salvaguardar-se de situações de risco, "o que infelizmente não foi o caso".

Actualizada às 23h09