Abrindo a porta a novas terapias

Nova técnica permite vista geral do genoma do vírus da sida

A nova técnica pode ajudar a desenvolver novas terapias
Foto
A nova técnica pode ajudar a desenvolver novas terapias DR

Funciona quase como um Google Maps para ver a estrutura de um vírus, a nova técnica de imagem que uma equipa de Kevin Weeks, da Faculdade de Medicina da Universidade da Carolina do Norte, Estados Unidos, desenvolveu. Segundo o investigador a nova técnica, a que chamou SHAPE, consegue mostrar a complexidade do ARN, as profundezas de um vírus, neste caso o do HIV, onde se tinha dificuldade em chegar e onde podem residir segredos que podem ajudar a desenvolver novas terapias.

A equipa não esconde que este é apenas um pequeno passo para conhecer uma dimensão desconhecida dos vírus. Mas, mesmo assim, a descoberta foi tão bem recebida que a revista “Nature”, onde o trabalho foi publicado, decidiu fazer capa sobre o assunto. Apesar do muito que se tem revelado sobre as estratégias do vírus do HIV, 80 por cento do genoma permanece por explorar. “A estrutura do ARN do vírus da sida é tão vasta que é enorme a probabilidade de alguma parte dela, que desconhecemos, desempenhar um papel importante na expressão genética do vírus”, disse Kevin Weeks num comunicado emitido pela Universidade.

No HIV, tal como noutros vírus como o da gripe, da hepatite C ou da poliomielite, o material genético está encerrado não na estrutura de ADN mas no ARN, uma estrutura mais complexa e longa que a da dupla hélice revelada ao mundo em 1953 por Watson e Crick. Outras técnicas como a espectroscopia de ressonância magnética nuclear ou a cristalografia de raio-x, davam uma boa imagem de pormenor mas deixavam muito por explicar. A SHAPE (de selective2’-hydroxyl acylation analysed by primer extension) sacrifica a qualidade pela quantidade, para chegar mais longe.

Como esta técnica pode ajudar a desenvolver novas estratégias de combate contra o HIV, a equipa ainda não sabe. Numa análise ao artigo da “Nature”, Hashim Al-Hashimi, investigador do departamento de química e biofísica da Universidade do Michigan, diz que esta técnica é um novo ponto de partida para os biólogos começarem a mergulhar mais fundo na arquitectura dos vírus. “Mas a busca de uma imagem de alta-resolução do ARN do HIV só agora começou”. E a equipa da carolina do Norte avança com algas hipóteses para iniciar a abordagem: “Se alterarmos sequências de ARN e o vírus reagir, então sabemos que mexemos num ponto que é importante para ele”.