Crianças menos activas do que deviam, adultos cumprem

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Actividade física das mulheres
é menor que a dos homens.
Metade dos adultos e 75 por cento
dos idosos com excesso de peso

a As crianças e os adolescentes portugueses têm uma actividade física muito inferior ao recomendado para esta faixa etária, enquanto a maioria dos adultos são suficientemente activos. Estas são as duas principais - e mais surpreendentes - conclusões de um estudo inédito em Portugal, baseado na análise física (e não em questionários) e realizado por cinco universidades para o Observatório Nacional de Actividade Física e Desporto.Catalogados como jovens no estudo ontem apresentado no Jamor, as crianças e adolescentes entre os dez e os 17 anos até têm uma actividade física mais intensa do que a restante população. "Mas nas recomendações para os jovens, a fasquia é colocada muito mais acima", explicou ao PÚBLICO Fátima Baptista, professora da Faculdade de Motricidade Humana de Lisboa e uma das autoras do estudo.
As crianças e jovens devem acumular diariamente 60 minutos de actividade física moderada (como andar rapidamente), 20 a 30 dos quais em actividade vigorosa (como correr). Ora, em média, os jovens rapazes cumprem apenas 50 minutos e as raparigas ficam pouco acima dos 30 minutos, o que significa que 70 por cento dos rapazes e 90 por cento das raparigas não são suficientemente activos.
Os mais de 3200 crianças e adolescentes monitorizados mostram ainda que a adolescência diminui a sua actividade física. Se entre os dez e os 11 anos, 53 por cento dos rapazes cumprem os níveis recomendados, entre os 16 e os 17 anos o valor baixa para 8,7 por cento. Nas raparigas, os índices são piores: 23,1 por cento entre os dez e os 11 anos e 1,8 por cento dos 16 aos 17 anos.
Obesidade preocupa
Este foi um dos aspectos que mais surpreenderam Fátima Baptista, para quem os resultados de Portugal estão em linha com os de um estudo publicado nos Estados Unidos no final do ano passado. A outra conclusão que mais causa surpresa é a de que a maioria dos adultos cumpre os índices recomendados na sua faixa etária: 30 minutos de actividade moderada diária (ou 20 a 25 minutos de actividade vigorosa, três dias por semana)
Os idosos, por sua vez, estão abaixo dos 50 por cento no cumprimento das metas recomendadas (idênticas às dos adultos). Nos homens, 45 por cento são suficientemente activos, enquanto as mulheres se ficam pelos 28 por cento. "Em todas as faixas etárias, as mulheres apresentam valores mais baixos", sublinha Fátima Baptista.
Além da actividade física (que avaliou 5231 pessoas), uma segunda vertente do estudo analisou a aptidão física de mais de 34 mil pessoas, que foram sujeitas a testes. A análise concluiu que 22,6 por cento das crianças e adolescentes padecem de sobrepeso ou obesidade, valor que sobe para os 50 por cento nos adultos e para os 75 por cento nos idosos.
Jorge Mota, professor da Faculdade de Desporto do Porto e co-autor deste estudo, alerta que os valores podem estar sobrevalorizados no caso dos idosos, porque o critério usado foi o índice de massa corporal (o IMC, que tem em conta a altura e o peso). "A partir de determinada idade, as pessoas vão perdendo altura, o que significa que, mesmo que não aumente peso, o IMC sobe", justifica, embora salientando que a obesidade é uma das grandes preocupações geradas por este estudo. A outra é a força abdominal ser satisfatória apenas em 39,8 por cento dos adultos, o que pode denunciar a existência de muitas pessoas que passam demasiadas horas sentadas.
Do lado positivo, Jorge Mota destaca o nível geral dos idosos. É que apesar do alto índice de obesidade, outros aspectos analisados (como a força dos membros superiores e inferiores) deram resultados globalmente positivos, "alguns acima das expectativas".