Livraria lisboeta foi à falência e deve mais de dois milhões de euros

Bens da Buchholz vendidos à Coimbra Editora por 110 mil euros

A Coimbra Editora comprou por 110 mil euros os bens da Livraria Buchholz, declarada insolvente desde Janeiro. Na corrida à compra dos activos da histórica livraria estava também a Portugália Editora, empresa do grupo editorial da Fundação Agostinho Fernandes, que há dois meses registou o nome Buchholz e o logótipo da livraria.

Para além da loja na Rua Duque de Palmela, em Lisboa, alugada à Santa Casa da Misericórdia, na lista de bens constam “milhares de livros de autores portugueses e estrangeiros”, mobiliário e equipamento informático que passam, agora, para as mãos da Coimbra Editora, especializada na edição jurídica.

As duas empresas foram as únicas a apresentar propostas em carta fechada ao administrador da insolvência. Segundo Fernando da Cruz Dias, apesar de terem sido enviados anúncios dos bens a vender ao mercado livreiro, “foram apenas apresentadas duas propostas miseráveis, uma de mil euros e outra de 42 mil euros”.

A licitação, que decorreu ontem, parou nos 110 mil euros e a Coimbra Editora passou a ter direito ao espólio e ao arrendamento da loja da Duque de Palmela, assim que for regularizada uma dívida de sete mil euros à Santa Casa. Esse montante vai ser assumido pela massa de credores.

A Fundação Agostinho Fernandes, que se assumia como compradora da Buchholz e fez a gestão corrente da empresa entre Dezembro e Março, inaugurou duas novas lojas em Lisboa e em Aveiro utilizando o nome da livraria, que nunca foi registado pelos legais proprietários.

Karin Ferreira, a gerente da empresa lisboeta, assinou um contrato de promessa de cedência da totalidade de quotas da Buchholz a favor da fundação (que entretanto caducou), e autorizou a utilização do nome mediante o pagamento de uma taxa, que também nunca chegou a ser concretizado. Ficaram ainda por pagar a utilização de um espaço que serviu para armazenar livros da Portugália Editora, e livros cedidos pela Buchholz para vender noutras lojas.

“O papel da fundação na história ficou por esclarecer. Ainda há contas a acertar do tempo que em geriam a livraria”, revela Fernando Cruz Dias, acrescentando que, tal como o PÚBLICO noticiou, não foram efectuados pagamentos de IRS, IVA e à Segurança Social nos três meses em que a instituição geriu a Buchholz.

Não foi possível obter esclarecimentos junto da fundação, cujo grupo editorial é composto pela Portugália Editora, Portugália Brasil, Sá da Costa Editora, e as livrarias Sá da Costa.

Criada em 2000 por Diniz e Sérgio Nazareth Fernandes, e alegadamente com sede no Panamá, a instituição também tentou comprar a Cavalo de Ferro, mas o negócio não avançou.

Os bens da Buchholz (que acumulou dívidas de dois milhões de euros) passam agora para as mãos da Coimbra Editora, fundada em 1920 por um grupo de professores universitários e os livreiros Francisco França e Arménio Arnado. Segundo informação disponibilizada na sua página oficial, tem actualmente nove livrarias (em Coimbra, Porto e Lisboa) especializadas em livros de direito e localizadas próximo de universidades ou centros judiciários.