Torne-se perito

Ferreira Leite concorda com as críticas do Presidente da República sobre a abstenção

A presidente do PSD, Manuela Ferreira Leite, disse concordar com as críticas do Presidente da República, Cavaco Silva, sobre o alheamento dos portugueses da vida pública.

“Todos nós devemos sentir esse recado, tanto os políticos como qualquer cidadão da sociedade civil deve sentir essa responsabilidade. Em democracia, a arma é o voto se não se utiliza a arma é difícil lutar só com palavras”, admitiu Ferreira Leite, após a sessão solene das Comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades portuguesas, em Santarém.

Sem querer comentar directamente as palavras de Cavaco Silva e recusando a obrigatoriedade de se rever na mensagem, a líder social-democrata classificou os discursos da sessão solene das Comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades portuguesas como “mensagens sensatas e credíveis em relação ao futuro do país”.

“Eu achei o discurso do Presidente da República um bom discurso, de esperança, mas de realismo. E também não posso deixar de referir o discurso do doutor António Barreto. Acho que foi um discurso notável, não só em termos estéticos como de conteúdo e, portanto, acho que são dois discursos que empolgam no sentido de termos realismo sobre a nossa situação e nos dão alento para o futuro”.

No seu discurso, Cavaco Silva considerou o “alheamento” dos portugueses como “inaceitável”.

“Em tempos reconhecidamente difíceis como aqueles em que vivemos, não é aceitável que existam portugueses que se considerem dispensados de dar o seu contributo, por mais pequeno que seja”, defendeu o Presidente da República.

Para Cavaco Silva, “o alheamento não é uma forma adequada - nem, certamente, eficaz - de enfrentar os desafios e resolver as dificuldades”.

Uma abstenção como a registada nas eleições europeias de domingo, na ordem dos 62,95 por cento, é “um sintoma de desistência, de resignação, que só empobrece a nossa democracia”, salientou.

Já a presidente do PSD reiterou que o governo terá “a sua capacidade limitada, nalgum tipo de decisões, que não têm a ver com o resultado das eleições, mas com o facto de estar no fim a legislatura”.

“Aquilo que o Presidente da República disse é aquilo que qualquer pessoa responsável diz, quando se tomam decisões acerca do futuro de um país, e eu nunca disse, nem relacionei, a legitimidade do governo por causa de eleições”, sublinhou, salientando que já defendia esta posição antes das eleições europeias.

Sugerir correcção