Queria que integrassem os órgãos sociais do Efisa

Mail de Abdool Vakil para Oliveira Costa revela critério de recrutamento de figuras socialistas

Abdool Vakil descreveu a Oliveira Costa vários nomes do universo socialista
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Abdool Vakil descreveu a Oliveira Costa vários nomes do universo socialista Pedro Cunha/PÚBLICO (arquivo)

Abdool Vakil, então presidente do Banco Efisa, sugeriu a José Oliveira Costa, no início da década, a pedido deste e segundo critério definidos pelo ex-presidente da Sociedade Lusa de Negócios (SLN), um conjunto de nomes do universo do Partido Socialista (PS) para integrarem os órgãos sociais do Efisa, a instituição financeira que funciona como braço de investimento do Banco Português de Negócios (BPN).

O e-mail enviado a Oliveira e Costa por Vakil e que agora é matéria reservada à Comissão de Inquérito Parlamentar à supervisão ao BPN, foi trocado no início da década, quando era primeiro-ministro António Guterres.

O Grupo SLN/BPN evidenciava-se antes da nacionalização por ser um projecto difuso, sustentado em relações pessoais de Oliveira Costa e Dias Loureiro, e que funcionava como um pólo de atracção de negócios não financeiros. O grupo desenvolveu-se apoiado numa base política, ligada sobretudo a uma facção do PSD, constituída por ex-membros dos governos de Cavaco Silva e de Durão Barroso, e com ligações ao mundo dos negócios. O banco caracterizava-se ainda por ter políticos no activo nos órgãos sociais e a desempenhar um papel determinante nos destinos do grupo.

Para além de Oliveira Costa e de Dias Loureiro, pelos órgãos sociais do BPN passaram nomes como o de Daniel Sanches (ex-ministro da Administração Interna de Santana Lopes e antigo director dos serviços secretos no tempo em que Dias Loureiro era ministro), ou o de Lencastre Bernardo (ex-director dos serviços de estrangeiros e fronteiras). À frente do Conselho Superior esteve vários anos Rui Machete (presidente da Fundação Luso Americana) e dirigente do PSD. Entre os accionistas (e clientes), o grupo conta, por exemplo, com Joaquim Coimbra (da direcção de Manuela Ferreira Leite), Arlindo Carvalho (ex-ministro de saúde) ou Gilberto Madail.

Apesar dos vários nomes do universo socialista sugeridos por Vakil a Oliveira Costa, apenas José Lamego, Augusto Mateus e Guilherme Oliveira Martins chegaram a assumir funções, mais concretamente, no conselho superior do Banco Efisa.

O e-mail de Abdool Vakil para Oliveira Costa

Meu caro,

No tocante a este assunto, para além do nome que sugeriu que foi o do Doutor Oliveira Martins que julgo não ser o mais provável porque não é para Presidente, lembrei-me de alguns outros nomes que lhe submeto para uma apreciação prévia e para estabelecermos uma hierarquização para que eu possa então seguir a lista por essa ordem.

Os nomes que me ocorrem dentro do critério que foi definido são:

Vera Jardim

- advogado com nome na Praça, Deputado pelo PS e ex-Ministro da Justiça; muito próximo do actual PR (e também amigo do Neto Valente dado que este foi há anos colega do escritório Jardim, Sampaio e Caldas);

João Cravinho

- nome bem conhecido, Deputado do PS e ex-Super Ministro do Equip Social, etc, conheço-o bem, já fez o favor de dar alguma colaboração ao Banco Efisa a título gracioso porque quando saiu do governo achou que não devia logo trabalhar para o banco que era prestador de serviços ao Ministerio que comandou. Entretanto, como isso já foi há algum tempo, pode ser que já possa aceitar. (Disse-me na altura que tinha aceite um lugar no Conselho Consultivo do Banco do Rendeiro).

Prof. Augusto Mateus

- PS muito bem inserido na máquina do Partido ; ex-Ministro da Economia; meu antigo aluno e com quem tenho excelente relação.

Dr. Fernando Castro

que foi Ch de Gabinete e ao que se diz o Mentor do então Ministro Pina Moura, muito bem inserido dentro dos meios políticos onde se move com muita discrição mas com grande eficácia. Dou-me bem com ele; veio há dias almoçar comigo ao banco; está de momento ligado à General des Eaux em Portugal.

Alberto Costa

- Deputado pelo PS, advogado e muito ligado ao António Vitorino com quem também me dou bem. Foi Ministro da Administração Interna e é também uma pessoa discreta.Também o Mário Cristina de Sousa poderia ser um bom nome mas está neste momento ligado à CGD e daí que, mesmo sendo um bom amigo, não possa. Mas fica aqui como uma mera sugestão mas que não me parece viável.


Podemos falar sobre este assunto quando entender conveniente.

AV