Em visita à Sumol+Compal

Ilda Figueiredo pede mais apoio para a agricultura que fornece a indústria

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Não era fácil, mas na sua visita Ilda Figueiredo conseguiu encontrar uma pequena ruga na fotografia da empresa de sucesso que é a Sumol+Compal. A companhia tem que importar parte da matéria-prima que precisa para produzir sumos, néctares e legumes cozinhados porque não há o que precisa no mercado nacional.

A candidata da CDU elogiou o funcionamento da empresa, normalmente mais conhecida pelos sumos e néctares, mas que tem igualmente uma longa tradição nos legumes pré-cozinhados. No entanto, devido à falta de leguminosas na agricultura portuguesa, a Sumol+Compal tem que se abastecer no estrangeiro, por exemplo, de feijão, grão e ervilhas. Também há sumos feitos a partir de matéria-prima importada, como o caso da manga e do ananás, que o país não tem condições climáticas para produzir.

“Gostaria que houvesse mais indústrias a funcionar assim e a utilizar, sempre que possível, matéria-prima nacional. Neste caso já não é assim porque a produção agrícola baixou bastante, e sobretudo aqui no caso das leguminosas”, apontou Ilda Figueiredo.

“Era importante que o ministério da Agricultura apostasse no apoio à produção agrícola de forma a garantir matéria-prima necessária a indústrias como esta”, afirmou a candidata, para quem contas são relativamente fáceis. “Atingiam-se desde logo três objectivos: aumentava a produção da agricultura e da indústria, dava uma resposta social pela criação de mais empregos, e na faceta ambiental poupava-se na emissão de CO2 no transporte das importações.”

10 litros por segundo

O grupo Sumol+Compal resulta da fusão das duas empresas em Janeiro e a fábrica é o maior empregador privado em Almeirim, com 330 trabalhadores. O grupo tem 1350 em todo o país, divididos pela logística e mais três fábricas em Pombal (sumos e néctares), Gouveia (Água Serra da Estrela) e Vila Flor (água Frize). Os resultados do primeiro trimestre, já de si tradicionalmente mais fraco, foram negativos em 3,9 milhões de euros essencialmente devido ao processo de reestruturação.

Mas a crise também se sente no sector e a Sumol+Compal “não é excepção”, reconhece José Paulo Machado. O director de comunicação conta que a empresa resolveu tomar medidas por antecipação: “Fizeram-se acções específicas de produto, reforçámos o investimento no marketing para comunicar de modo mais efectivo.”

O quadrimestre fulcral é o actual, entre Maio e Agosto, e que normalmente vende o dobro dos outros. Mas há mais números: “Em Portugal vendemos o equivalente a 10 litros de líquidos por segundo e no estrangeiro 2,5 litros”, conta José Paulo Machado. A empresa é um bom exemplo na internacionalização: 40 por cento do produto Compal e um terço da marca Sumol ultrapassam as fronteiras. Metade da exportação segue para Angola e na Europa o chamado “mercado da saudade” – Suíça, Luxemburgo e França – tem também um forte peso, especifica o responsável.

Depois de ter estado na EMEF pela manhã, Ilda Figueiredo escusou-se a fazer comparações sobre o modo de funcionamento e de gestão das duas empresas, a primeira pública e a segunda privada. Disse que o seu desejo é que “nos dois sectores haja mais desenvolvimento e produção”, que os sectores “público, privado, cooperativo e associativo” podem coexistir e que “todos tenham mais apoio”.

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