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Luís Nazaré considera época decepcionante e responsabiliza jogadores

"Faltou maturidade, atitude competitiva e espírito de conquista" aos jogadores diz Luís Nazaré
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"Faltou maturidade, atitude competitiva e espírito de conquista" aos jogadores diz Luís Nazaré Público (Arquivo)

O antigo presidente do Conselho Fiscal do Benfica, Luís Nazaré, qualificou o desempenho da equipa esta época como "decepcionante" e responsabilizou por ela, em primeiro lugar, os jogadores.

"Os primeiros responsáveis são aqueles que estão dentro das quatro linhas, aos quais faltou maturidade, atitude competitiva e espírito de conquista", justificou aquele ex-dirigente, para quem o Benfica está bem servido no que diz respeito a métodos de treino, à competência da equipa técnica e da equipa clínica.

Quanto às responsabilidades do treinador, Quique Flores, procurou aligeirá-las, apesar de considerá-lo "co-responsável", embora não saiba "quantificar se a sua responsabilidade é de dez, quinze ou vinte por cento".

Em defesa do treinador alegou que este "não dirige máquinas, mas seres humanos a quem é impossível saber o que lhes vai na cabeça. Jogadores que prometem imenso, custam muito dinheiro e que depois não rendem porque não se adaptam pelas razões mais bizarras, porque têm saudades da família, não gostam da comida, por problemas psicológicos, ou por dificuldades na língua etc."

Luís Nazaré confessou que a escolha de Quique Flores lhe agradou, mas reconheceu que ao longo da época "tomou opções" que não entendeu, embora lhe conceda o benefício da dúvida porque "conhecia mal o futebol português e alguns dos jogadores do plantel".

Por outro lado, admitiu que "um treinador de 'primeira água' tem de saber adaptar-se rapidamente", ainda que defenda a sua continuidade ao afirmar que "deve cumprir o seu contrato até ao fim", mesmo que a equipa "tenha estado em sub rendimento ao longo da época" e não vá além do 3º lugar no fim do campeonato.

Desvalorizou as alegadas tensões entre Luís Filipe Vieira e Rui Costa, achou que carecem de fundamento, e tanto quanto sabe, "as relações entre ambos são de confiança mútua e não se deterioraram".

Disse compreender a insatisfação do presidente face ao elevado investimento feito, o maior orçamento de sempre da história do Benfica. "Cabe-lhe proporcionar as melhores condições para um bom desempenho desportivo, foi feito um esforço financeiro muito considerável e tem toda a legitimidade para exigir", referiu, tanto mais que, acrescentou, o Benfica tem "o melhor plantel dos últimos cinco anos".

Voltando a Rui Costa, confessou ter visto com bons olhos a sua promoção a director desportivo, "um lugar muito difícil e exigente" e por mais bem preparado que ele esteja para o exercer, considerou que "há sempre um período de aprendizagem e de adaptação a novas funções". Em síntese, concluiu que Rui Costa "tem tido, globalmente, um bom desempenho".

Em jeito de balanço, traçou um retrato positivo sobre o mandato de Luís Filipe Vieira, prestes a findar, ao alegar que "o Benfica possui hoje uma gestão profissional, com bons quadros, um nível das infra-estruturas de excelente qualidade, um centro desportivo que é do melhor que existe a nível europeu, e um sector da formação que melhorou significativamente, recuperando o atraso que tinha em relação aos rivais".

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