Tribunal da Boa Hora

Julgamento de Mário Machado por ameaças a procuradora Cândida Vilar adiado

O advogado do arguido diz que não deverá ser retomado antes de Setembro
Foto
O advogado do arguido diz que não deverá ser retomado antes de Setembro Enric Vives-Rubio (arquivo)

O julgamento de Mário Machado, apontado como líder do movimento Portugal Hammerskin, por ameaça, coacção e difamação à procuradora Cândida Vilar, cujo início estava previsto para amanhã, foi adiado "sine die", disse hoje o advogado do arguido.

José Manuel Castro, que foi informado do protelamento no final da semana passada, revelou que o tribunal justificou o adiamento "sine die" com "a transferência do Tribunal da Boa Hora para o Campus da Justiça", a funcionar no Parque das Nações, em Lisboa. O defensor de Mário Machado adiantou estar "convencido" que "antes de Setembro próximo" não deverá ter início o julgamento agora adiado.

As ditas ameaças à procuradora Cândida Vilar foram feitas por Mário Machado, numa carta aberta, que esteve no site da Internet do Fórum Nacional (conotado com a extrema-direita) em 2007, pelo facto de a magistrada ter proposto a sua prisão preventiva num processo em que respondia por discriminação racial e outros crimes.

Na carta aberta, Mário Machado apelava a todos os nacionalistas para que não se esquecessem do nome de Cândida Vilar comparando-a à "Inquisição". Na sequência disso, o MP decidiu acusar Mário Machado pelos crimes de ameaça, coacção e difamação, tendo o processo seguido para instrução e, depois, para julgamento.

A procuradora Cândida Vilar foi responsável, em Setembro de 2007, pela acusação de 36 "skinheads", incluindo Mário Machado, após uma mega-operação da Polícia Judiciária que culminou na apreensão de armas e diversa propaganda de extrema-direita.

No início de Outubro, no âmbito deste processo relacionado com discriminação racial e outros ilícitos criminais, Mário Machado foi condenado a quatro anos e 10 meses de prisão efectiva, tendo recorrido da decisão.

Mário Machado encontra-se em prisão preventiva por decisão do Tribunal Central de Instrução Criminal (TCIC), que decretou em Março deste ano esta medida de coacção mais gravosa para o líder nacionalista e outros arguidos, num outro caso envolvendo crimes de associação criminosa, ofensa à integridade física e tráfico de droga.