Carrilho da Graça recebe Prémio Pessoa enfatizando o papel social da arquitectura

Na presença do Presidente da República, do ministro da Cultura e do presidente da Câmara de Lisboa, Carrilho da Graça agradeceu o galardão com um discurso intitulado “Delícias”. “O design e a arquitectura servem fundamentalmente para solucionar problemas”, disse, “e é muito mais interessante” que muitos, e não apenas alguns, usufruam do trabalho dessas disciplinas.

O arquitecto, cujas palavras de agradecimento versaram sobre o contexto actual da actividade, marcado pelas desigualdades sociais e pelo interesse em projectos para a comunidade, não dissociou a sua distinção do elogio que ela representa para a arquitectura em geral.

“A arquitectura é uma coisa maravilhosa e universal”, um trabalho “interdependente”, de “síntese”, de “construção de desejos”, descreveu. Pinto Balsemão, que falou minutos antes de Carrilho da Graça na Culturgest, onde decorreu a entrega do galardão, elogiou a assunção que o arquitecto faz da responsabilidade social da arquitectura, o seu “pragmatismo militante” e “enorme talento”.

À saída da cerimónia e após a actuação de Bernardo Sassetti (uma escolha de Carrilho da Graça), o Presidente da República disse apenas aos jornalistas que considera ter sido “um prémio muito justo” e que é conhecedor da obra de Carrilho da Graça, mencionando ter tido a oportunidade de inaugurar algumas delas.

Um prémio para todos os arquitectos

O nome do Prémio Pessoa 2008 foi revelado a 12 de Dezembro. Na altura, o arquitecto João Luís Carrilho da Graça reagiu partilhando-o com todos os arquitectos, particularmente satisfeito pelo facto de o júri ser multidisciplinar.

Carrilho da Graça é autor da remodelação do edifício que hoje alberga o Museu do Oriente, inaugurado em 2008, e outros projectos que se concretizaram no ano passado, embora tivessem sido começados há muito: a Escola Superior de Música de Lisboa e o Teatro Auditório Poitiers, em França. Também em 2008 ganhou o concurso para o desenho da nova sede da EDP na zona da Boavista nascente, em Lisboa, e este ano assiste à do restauro e musealização de um conjunto de casas islâmicas na praça do Castelo de São Jorge.

Os peritos descrevem a sua obra como sendo formalista, assente numa pesquisa rigorosa e que consiste na síntese de uma série de influências, vindas tanto da geografia mediterrânica quanto das diferentes linguagens da arquitectura que marcaram a renovação da disciplina nos anos 1980.

Da sua obra constam ainda a requalificação do Mosteiro da Flor do da Rosa, no Crato, ou da Igreja de São Paulo em Macau e a autoria do Pavilhão do Conhecimento dos Mares em Lisboa. Ainda em projecto está a requalificação do Convento de Jesus, em Setúbal, projecto aprovado há cerca de uma década mas cujas obras continuam em suspenso.

João Luís Carrilho da Graça nasceu em Portalegre em 1952 e formou-se pela Escola Superior de Belas Artes de Lisboa em 1977. Foi assistente na Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa e hoje lecciona nas universidades Autónoma e de Évora. Vive desde os 17 anos em Lisboa e muitas das suas obras, nomeadamente algumas com maior visibilidade pública, foram feitas na capital de “geografia fortíssima” e “luz incrível reflectida pelas grandes superfícies de água” que a rodeiam, como descreveu o arquitecto ao PÚBLICO em Dezembro.

O Prémio Pessoa é entregue pelo Expresso e agora pela Caixa Geral de Depósitos (o primeiro parceiro foi a Unisys) desde 1987.