Investigadores suspeitam de empresa da mãe de Sócrates

A A Mecaso, uma sociedade gestora de participações sociais criada em 1999 pela mãe de José Sócrates, por um primo paterno e por um cidadão inglês de origem indiana, está referenciada num processo em que são investigadas suspeitas de corrupção relativas à Câmara da Amadora, noticiou ontem o semanário Sol. De acordo com a mesma fonte, os investigadores do caso Freeport admitem agora que José Paulo Pinto de Sousa - filho de um irmão do pai de Sócrates que possui uma espingardaria na Praça da Figueira, em Lisboa, e tem forte ligações a Angola - possa ser o primo a que Charles Smith se referiu em várias situações como veículo do suborno alegadamente pago ao então ministro do Ambiente.
O inquérito judicial em que são investigados indícios de corrupção e tráfico de influência na Câmara da Amadora, dirigida por Joaquim Raposo (PS), arrasta-se há quase uma década e tem oito arguidos. Em Outubro de 2004 e Julho de 2005 foram feitas dezenas de buscas não só em edifícios camarários como em escritórios de empresas e casas particulares, incluindo a de Joaquim Raposo.
Em causa estão suspeitas relativas ao licenciamento de algumas grandes urbanizações, algumas delas, como a do Neudel, ligadas a empresas de Jorge Silvério, mandatário de Raposo nas eleições de 1997 e 2001.
Muitos desses casos prendem-se com denúncias feitas pela CDU local, desde 1999, e também com factos revelados pela antiga mulher de Jorge Silvério. Segundo o Sol, a referência à Mecaso foi encontrada pelos investigadores do caso no computador pessoal de Joaquim Raposo.
No decurso das buscas efectuadas em 2005, a polícia esteve nos escritórios de um dos maiores construtores civis do país, José da Conceição Guilherme. Conhecido pela sua proximidade com autarcas de vários partidos, entre os quais Isaltino Morais e Raposo, José Guilherme foi um dos beneficiados, em 2005, com a alteração dos limites da Zona de Protecção Especial de Moura/Mourão, no mesmo dia em que foi alterada a ZPE de Alcochete. Foi nos seus escritórios da Amadora que teve sede, em 1989, uma empresa de importação de pneus (Sovenco) de que Sócrates, Armando Vara e um sócio de Jorge Silvério foram sócios cerca de dois anos.
O processo em que são investigadas relações entre Raposo, o PS e empreiteiros locais arrasta-se há dez anos