Crítica

Júlia

Há uma única razão para ver este filme: Tilda Swinton

Há uma única razão para prestar atenção ao filme que o francês Erick Zonca, autor de "A Vida Sonhada dos Anjos", foi rodar aos EUA e essa razão chama-se Tilda Swinton.


A musa de Sally Potter e Derek Jarman, que ganhou o ano passado o Óscar de melhor secundária em "Michael Clayton" e que ainda há pouco foi a melhor coisa de "O Estranho Caso de Benjamin Button", está irreconhecível como a personagem titular, uma alcoólica cuja vida, já de si complicada, vai de vez pelo cano abaixo ao alinhar num plano de rapto de um miúdo por uma mãe seriamente perturbada. A matriz evidente é a "Gloria" de Cassavetes, mas não basta querer fazer Cassavetes; é preciso saber e Zonca, que muito evidentemente não sabe, nem tem mãos para a guitarra que entendeu tocar, apenas tem a admirável Swinton. Só que nem a entrega no limite da actriz a esta mulher em procura de redenção redime este filme desastrado e insuportavelmente canhestro que, ainda por cima, se estende inexplicavelmente por quase duas horas e meia.

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