Eduarda Titosse e Sandra Reis passam a exercer o cargo equivalente ao padre no catolicismo

Igreja Presbiteriana tem duas novas pastoras

Maria Eduarda Titosse
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Maria Eduarda Titosse Nuno Ferreira Santos

De manhã, um padre amigo de Maria Eduarda Titosse telefonou-lhe a pedir “as bênçãos de Deus” para a sua ordenação como pastora da Igreja Presbiteriana – a quarta mulher em Portugal a exercer o cargo equivalente ao padre no catolicismo.

Esta tarde, Eduarda Titosse foi ordenada em Lisboa, onde nasceu há 42 anos. Amanhã, domingo, os presbiterianos farão a festa no Bebedouro (Montemor-o-Velho), onde Sandra Reis e Luís de Matos serão também ordenados – aumentando para quatro o número de mulheres no ministério de pastorado na Igreja Presbiteriana. As outras duas – Idalina Sitanela e Eva Michel – têm origem angolana e alemã, embora vivam há anos em Portugal.

Eduarda não tinha pensado em dedicar-se a esta missão. “Por ser mulher não deixo de poder servir a Deus do mesmo modo que um homem”, disse ao PÚBLICO, após a cerimónia, que decorreu na igreja da Rua Febo Moniz, um dos templos históricos presbiterianos em Lisboa.

Como pastora, Eduarda – que foi há mais de dois anos para Montemor – continuará a dedicar atenção ao diálogo com católicos. “O diálogo ecuménico é uma resistência e persistência de alguns padres e de algumas bolsas católicas, porque a Igreja Católica está hoje mais virada para o diálogo inter-religioso.”

Nascida numa família protestante, Eduarda trabalhou já como professora de português para estrangeiros, antes de estudar Teologia em Madrid. Quando voltou para Portugal, fez o estágio para pastora já no Bebedouro, onde há uma importante comunidade presbiteriana.

O que mais lhes custou foi a mudança de Lisboa para uma aldeia. “Foi muito difícil adaptar-me”, disse à agência Lusa. Casada há oito meses, só vive permanentemente com o marido há três, quando ele arranjou emprego em Aveiro.

Sandra Reis, a outra nova pastora da Igreja Presbiteriana (uma das três do protestantismo histórico português), será ordenada esta tarde. Natural do Bebedouro, ficará responsável por paróquias na Figueira da Foz.

À Lusa, Sandra Reis caracterizou a realidade do protestantismo em que trabalha. Apesar de implantada na Figueira da Foz há mais de um século, a Igreja Presbiteriana sofre uma diminuição dos que frequentam o culto dominical.

“Se comparar com a comunidade do Bebedouro é diferente, [na aldeia] tem todas as faixas etárias, tem crianças, tem jovens, tem casais jovens e pessoas mais velhas.” Já na cidade, a faixa etária é “elevada, quase não há crianças, jovens também não”.

Além das quatro presbiterianas, há duas pastoras na Igreja Metodista: Miriam Lopes e Eunice Alves. As duas igrejas estão em processo de união. A Igreja Lusitana (da Comunhão Anglicana), a outra corrente do protestantismo histórico, tem uma única mulher presbítera, Elisabete Serra.