O novo Tarantino já mexe

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O "trailer" de "Inglorious Basterds" estreia-se em exclusivo, hoje, no Ípsilon

Uma estrela maior do que a vida, muitos nazis a pingar sangue, suor e lágrimas, "western spaghetti" e épico bélico. A seguir a "Valquíria" (baliza temática nazi) e a "À Prova de Morte" (baliza do universo Tarantino) e com um guião que emergiu na Internet a meio da rodagem, o trailer de "Inglorious Basterds" estreia-se hoje no site do Ípsilon.

Já havia algumas imagens de promoção na web, e quarta-feira o canal americano E! avançou excertos, mas as primeiras cenas da nova investida de Quentin Tarantino só são conhecidas amanhã. Muito já se escreveu e já se especulou sobre o filme, já em fase de pós-produção e em corrida acelerada para tentar uma ante-estreia no Festival de Cannes, em Maio. Este é o maior projecto em que Tarantino pôs as suas mãos sedentas de acção e violência estilizada ao gosto do freguês "art-house" e tem estreia marcada para o continente americano a 21 de Agosto.

Desde 2007 que o hiperactivo realizador que se tornou estrela oscarizada (pelo argumento) com "Pulp Fiction", não assinava um projecto integral - como realizador e argumentista. Para "Basterds", que se chamava "Inglorious Bastards" mas que Tarantino mudou em prol da estética "cool" (por ele levada tão a sério que até é trabalhada na ortografia), chamou o elenco que já se conhece.

Brad Pitt, a estrela, Michael Fassbender, protagonista de "Fome", o filme revelação de Steve McQueen, Eli Roth, o homem dos sete instrumentos que realizou "Hostel", Mike Myers, ou Austin Powers, esse mesmo, Daniel Brühl, de "Adeus Lenine!" (2003), e, entre muitos outros, o actor-fétiche do realizador Samuel L. Jackson e a actriz já há muito desejada por Tarantino, Maggie Cheung.

Pitt será o tenente Aldo Raine, também conhecido como Aldo, o Apache, líder dos Basterds, grupo de soldados ex-reclusos lançados na Europa para eliminar um grupo de nazis. Segundo o guião de 165 páginas que está nos meandros da web, este bando é lançado nas linhas alemãs em 1944 e mina a partir do interior os seus avanços. No seu pescoço, Raine ostenta uma cicatriz circular que nunca será mencionada no filme, anotou Tarantino, mas que evoca a ideia de que ele é um sobrevivente de uma tentativa de linchamento.

No filme que pretende ser uma espécie de tributo ao filme italiano "Quel Maledetto treno Blindato", de Enzo Castellari (1978), intitulado em inglês como "Inglorious Bastards", haverá também um cheirinho a "Os 12 Indomáveis Patifes", de Robert Aldrich (1967), e um aroma a "western spaghetti".

Brad Pitt disse há dias ao "Independent" que "aprecia os autores" no cinema. "Antes de tudo, é um meio dos realizadores, digo eu. Eles são os contadores de histórias", explicava, tanto a propósito do seu trabalho recente com David Fincher ("Benjamin Button") quanto com Tarantino. O actor gosta de trabalhar com "tipos que são obcecados com a sua arte" e sobre o seu Aldo Raine, perde-se a meio da frase. "A personagem... Penso que o trampolim dele é ‘Os 12 Indomáveis Patifes'. Ele é do passado. Tudo o que posso dizer é que ele é absolutamente escandaloso".

O filme foi rodado em vários países europeus desde Outubro e o guião, no qual o autor trabalhou ao longo de anos, está organizado em cinco capítulos: Um: Era uma vez... a França Ocupada pelos Nazis; Dois: Inglorious Basterds; Três: Noite Alemã em Paris; Quatro: Operação Kino (cinema em alemão); Cinco: Vingança da Cara Gigante.

O filme cruza dois arcos narrativos principais, o dos Bastards e o de uma adolescente judia francesa, Shosanna, que sobrevive ao assassinato da sua família e acaba por gerir um cinema em Paris durante a ocupação alemã. Nessa sala, estreia-se um filme de propaganda nazi em que o próprio Führer e os principais líderes do Terceiro Reich tinham presença prevista. No sítio certo à hora certa, os Bastards e Shosanna cruzam-se com um intento comum - fazer daquela exibição a sessão final do Reich.

Tarantino prometia no ano passado que o filme ia ter um tom actual, moderno, tentando não ser um projecto de época no sentido mais restrito do termo. O realizador, citado pela BBC, disse mesmo: "Uma das coisas com que tenho de lutar são os 30 anos de telefilmes sobre a ocupação nazi em que todos já vimos as grandes ruas, os carros antigos e as suásticas até à náusea".

O filme é co-produzido e financiado pela Weinstein Company (dos irmãos Weinstein, que na Miramax deram a mão e se tornaram mentores de Tarantino) e pela Universal Pictures, que trata da distribuição internacional.