Ministério da Economia garante salários de trabalhadores da Bordalo Pinheiro

Os trabalhadores da Bordalo Pinheiro acusa a actual gestão de "má e desorganizada"
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Os trabalhadores da Bordalo Pinheiro acusa a actual gestão de "má e desorganizada" Pedro Cunha (arquivo)
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"Vimos, pelo menos, mais optimistas. O ministro garantiu que vai ter muito rapidamente soluções para a Bordalo Pinheiro", disse o responsável da comissão de trabalhadores da fábrica, José Fernando, após ter sido recebido por Manuel Pinho.

De acordo com José Fernando, o ministro mostrou-se "conhecedor do problema" e preocupado, sobretudo, com a parte social, ou seja, com as dificuldades dos trabalhadores, assegurando que os salários serão pagos "rapidamente".

Sem adiantar prazos concretos, acrescentou José Fernando, o ministro disse que "dentro de dois meses, mês e meio" será apresentado um plano de viabilização para a empresa que, de acordo com a comissão de trabalhadores, já está a ser estudado, e que será, a partir de agora, discutido com a entidade patronal.

Contudo, questionado sobre se esse plano de viabilidade inclui todos os postos de trabalho actualmente existentes, José Fernando disse que o ministro não tinha adiantado quaisquer pormenores sobre esta matéria.

"Saímos satisfeitos. Precisamos de mais, não só de palavras mas também de actos. Não queremos só um pequeno remendo, mas a continuação da empresa", disse José Fernando, sugerindo que o plano de viabilização da empresa deve ter como estratégia uma aposta na organização, no marketing e na inovação. É que, frisaram, "a crise não é desculpa para tudo", o problema "também passa pela gestão".

Apesar de considerar que há menos risco, a comissão de trabalhadores diz que só descansará quando todos receberem os seus salários.

Enquanto a comissão de trabalhadores estava a ser recebida pelo ministro da Economia, os trabalhadores da Bordalo Pinheiro concentraram-se no Largo Camões, em Lisboa, vestidos com t-shirts que evidenciavam os símbolos mais característicos da fábrica centenária de cerâmica de Leiria, pedindo o pagamento dos ordenados, a manutenção dos postos de trabalho e a viabilidade da empresa.

"A situação é difícil e há pessoas que já estão com a corda na garganta e já tivemos de ajudar, entre todos nós, um colega com bens alimentares e dinheiro. Além disso, existem também muitos casais que trabalham na fábrica", contaram à agência Lusa vários trabalhadores, como José Luís Bispo, há 33 anos na empresa, Paula Correia, há quase 19, ou Isabel Silva, há 18 anos.

Empunhando nas mão cartazes onde se podia ler "Só queremos que nos deixem trabalhar", os trabalhadores apelavam à continuidade da actividade da fábrica e apontavam o dedo à gerência, que caracterizaram como "má e desorganizada", afirmando estar a "aproveitar-se da crise".

Questionados pela Lusa, os trabalhadores afirmaram receber, em média, um ordenado de cerca de 600 euros e adiantaram que não recebem horas extraordinárias, mesmo quando as fazem.

"Ainda no sábado, fizemos todos um protesto à porta de uma reunião com os accionistas e pedimos 30 minutos para sermos ouvidos e o patronato não nos deu sequer uma palavra", contou Isabel Silva.

Desde que os trabalhadores receberam, em Dezembro, um comunicado da entidade patronal a propor a suspensão do contrato, descreveram alguns funcionários, que se tem assistido a um "frenesim" de pessoas a comprar loiças da loja.

"O patrão diz que esta situação da fábrica se deve ao facto de não haver pedidos de encomendas. Mas desde que isto se soube, a loja está a vender mais e já chegou a ter filas com mais de 30 pessoas para pagar", contou José Luís Bispo.

"As pessoas saem com sacos cheios", acrescentou Isabel Silva.

"Essencialmente, o que queremos é trabalhar e que não nos fechem a empresa, que é centenária e existe desde 1884. Isto tem de ser resolvido", disseram à agência Lusa Fernando Esteves, Vasco Brás e Miguel Barão, todos eles há mais de 20 anos na empresa.

Os trabalhadores dirigem-se hoje à tarde ao Ministério do Trabalho, onde vão expor as mesmas preocupações.

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