Cruz Vermelha acusa Israel de não prestar socorro aos feridos

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As crianças são particularmente vulneráveis em cenários de conflito Mohammed Salem/Reuters

O Exército israelita ainda não respondeu a esta acusação específica, mas indicou que tem estado a trabalhar em estreita colaboração com grupos de auxílio, de modo a que os civis possam receber assistência.

Esta acusação do CICV acontece no mesmo dia em que se registou o disparo de “rockets” contra Israel a partir do Líbano, temendo-se que o conflito possa alastrar àquele país vizinho. Pelo menos três “rockets” foram disparados hoje cedo em direcção a Israel, levando Israel a contra-atacar, fazendo uso da sua artilharia pesada.

Este incidente acontece no dia em que se registaram os bombardeamentos mais pesados sobre Gaza, após duas semanas de conflito, com a aviação israelita a levar a cabo pelo menos 60 ataques aéreos, alvejando posições do Hamas.

As forças israelitas estão, porém, a observar a pausa diária de três horas para fins humanitários. As pausas entraram ontem em vigor, o que permitiu às agências humanitárias entrarem no território pela primeira vez em vários dias.

Crianças esperavam junto aos corpos das mães

O CICV acusa Israel de não estar a cumprir as suas obrigações humanitárias depois de alguns dos seus funcionários terem assistido a cenas “chocantes”. Um médico encontrou 12 cadáveres numa casa atingida pelos confrontos. Junto aos corpos, estavam quatro crianças, demasiado frágeis para conseguirem andar, que esperavam sentadas junto aos cadáveres das respectivas mães, indicou o CICV.

Os funcionários da Cruz Vermelha na região estiveram impossibilitados de aceder aos locais atingidos durante vários dias.

“É um episódio chocante”, disse em comunicado Pierre Wettach, chefe do CICV para Israel e para os territórios palestinianos. “Os militares israelitas deviam estar a par da situação, mas não fizeram nada para ajudar os feridos. E também não tornaram possível a nossa ajuda, ou a ajuda do Crescente Vermelho”, indicou Wettach, citado pela BBC.

Alguns analistas já indicaram que estas críticas são particularmente pesadas por parte de uma agência considerada isenta e neutra.

O Exército israelita disse, porém, à Reuters que quaisquer alegações graves de negligência na assistência aos feridos seriam devidamente investigadas, uma vez apresentada uma queixa formal.

Paralelamente, a Amnistia Internacional acusou ambas as partes de usarem civis como escudos humanos. “Soldados israelitas entraram e tomaram posições em diversas casas palestinianas, forçando as famílias a ficarem numa sala do rés-do-chão, enquanto usam o resto da sala como base militar ou para posições estratégicas para os atiradores furtivos”, indicou a AI em comunicado.

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