Canhotos são ligeiramente mais eficazes

Beto, guarda--redes do Leixões, admite que é mais difícil defender penáltis marcados por canhotos
a Marcar uma grande penalidade é mais fácil do que defender. Este é um ponto em que a ciência, a estatística e o senso comum estão de acordo. Cerca de 25 a 30 por cento dos penáltis não dão em golo, um valor confirmado pelo estudo que está a ser realizado pela Faculdade de Motricidade Humana (ver infografia na próxima página). Além de mostrar que três em cada dez penáltis são falhados pelo avançado ou defendidos pelo guarda-redes, os estudos científicos têm evidenciado de, forma constante, que os canhotos são ligeiramente mais eficazes.
Na análise aos iniciados do Sporting, os esquerdinos acertaram mais do que os destros (79,7 contra 72,7 por cento), o mesmo acontecendo nos juvenis (76,7 contra 67,8). Uma conclusão em linha com estudos anteriores e que é explicada pelo facto de haver menos esquerdinos. "Os canhotos são mais difíceis, porque estamos habituados a destros, e, além disso, os canhotos têm uma forma peculiar de se movimentar e de bater na bola", explica Beto, guarda-redes do Leixões.
Outra certeza conferida pelos estudos é a importância do aspecto psicológico. Duarte Araújo avança um estudo recente que está prestes a ser publicado por investigadores holandeses. "Num desempate por penáltis, a dimensão psicológica é de tal forma importante que se um jogador, depois de rematar, mostrar emoções positivas de incitamento e coragem, a probabilidade de o colega seguinte marcar golo é maior do que quando o anterior não se manifesta ou apresenta atitudes de descrença." Até aqui tudo normal. Se um jogador marca, é natural que o ânimo dos colegas aumente. "O mais curioso é que isto acontece independentemente da eficácia", aponta o professor da Faculdade de Motricidade Humana. "Mesmo quando um jogador marca, mas não comemora ou não manifesta entusiasmo, a probabilidade de o colega seguinte falhar é maior."
Neste debate sobre penáltis, parece, por outro lado, consensual que a maior angústia não é do guarda-redes (como sugere o título do livro do austríaco Peter Handke), mas sim do avançado. "Em termos mediáticos, espera-se muito mais que o rematador marque do que o guarda-redes defenda", resume Duarte Araújo. H.D.S