O "enfant terrible" do PSD

Pedro Santana Lopes, iniciou a carreira política em 1978, quando, com apenas dois anos de filiação no PPD/PSD, foi convidado por Francisco Sá Carneiro, então chefe de Governo, para adjunto do ministro adjunto do primeiro-ministro. A rápida ascensão de Santana Lopes, actualmente com 52 anos e muitas vezes considerado um "enfant terrible" do PSD, levou-o à Assembleia da República como deputado em 1980. Dois anos depois, ganhou a presidência da comissão política distrital de Lisboa do partido, com apenas 26 anos e recém-licenciado em Direito.

A sua agitada vida política teve um novo impulso pela mão de Cavaco Silva, que o convidou para secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros em 1985. Em 1987, Santana trocou Lisboa por Bruxelas. O afastamento do país acabou por ser curto e, dois anos depois, regressou a Portugal, optando pela comunicação social. A pausa na política também não foi muito longa, assumindo, entre 1989 e 1994, o cargo de secretário de Estado da Cultura.

Sportinguista convicto, candidatou-se à presidência do clube lisboeta, obtendo um recorde de votos numa lista única. A aventura desportiva terminou cerca de um ano depois, quando, em 1996, Santana voltou a candidatar-se à liderança do PSD, depois do desafio lançado por Marcelo Rebelo de Sousa, que acabou por levar a melhor.

Da Figueira...para Lisboa
Marcelo convocou Santana Lopes para as eleições autárquicas realizadas em Dezembro de 1997, que o transformaram em presidente da Câmara da Figueira da Foz. Contudo, não deixou de ambicionar voos mais altos e, três anos depois, após a demissão de Marcelo, voltou a concorrer à liderança do PSD, mas Durão Barroso acabou por conquistar o lugar. Com Durão Barroso na liderança do partido, Santana não resistiu e, contra todas as previsões, ganhou a Câmara Municipal de Lisboa, batendo o socialista João Soares nas autárquicas de 2001.

Admirado por uns e criticado por outros, que o acusam de ser demasiado ambicioso e instável, acabou por chegar a primeiro-ministro de Portugal, quando Jorge Sampaio optou por encontrar um novo Governo no quadro da actual maioria parlamentar em Julho de 2004, na sequência da saída do primeiro-ministro Durão Barroso para a presidência da Comissão Europeia. No entanto, o Presidente deu um passo atrás e dissolveu o Governo de Santana pouco tempo depois, tendo o social-democrata ficado no cargo apenas até Março de 2005, quando José Sócrates tomou as rédeas do poder.

Santana voltou ao lugar de presidente da Câmara de Lisboa mas nas autárquicas que se realizaram nesse ano o PSD retirou-lhe o apoio e escolheu Carmona Rodrigues. Santana esperou por uma nova oportunidade e recandidatou-se a Lisboa em 2007, nas intercalares, perdendo para o actual presidente, António Costa. Entretanto manteve-se como deputado pelo PSD na X legislatura e foi líder parlamentar quando Luís Filipe Menezes derrotou Marques Mendes. Este ano já perdeu a disputa da liderança com a actual presidente, Ferreira Leite, ficando em terceiro lugar, depois de Pedro Passos Coelho.


Comissão política

PSD confirma Santana Lopes como candidato à Câmara de Lisboa

Foto
Carlos Lopes (arquivo)

A comissão política do PSD, que esteve reunida desde as 17h00 de hoje na sede nacional do partido, em Lisboa, confirmou o nome de Pedro Santana Lopes como candidato social-democrata à Câmara Municipal de Lisboa. Castro Almeida, vice-presidente do partido, considerou que esta “é uma escolha totalmente pacífica e muito entusiasmante”.

Em conferência de imprensa, o coordenador autárquico do PSD informou que já estão escolhidos mais de dois terços dos candidatos às autárquicas mas explicou que hoje anunciariam apenas dois nomes: Lisboa e Braga – capitais de distrito onde os social-democratas não lideram e que o partido considera primordiais, além de outras sete que por agora não serão reveladas. Ricardo Rio, presidente da comissão política concelhia do PSD de Braga, será o candidato “laranja” à autarquia.

De acordo com Castro Almeida os nomes hoje anunciados “traduzem bem a importância o PSD atribui” aos lugares. O social-democrata garantiu, ainda, que o nome de Santana Lopes foi “uma escolha que teve origem nas estruturas concelhias de Lisboa e foi aprovada pela comissão política nistrital”, pela comissão coordenadora para as eleições autárquicas e pela “comissão polícia nacional por proposta da sua presidente”, Manuela Ferreira Leite. E acrescentou: “O actual presidente da câmara de Lisboa não tem perfil para o cargo”.

Recorde-se que em Maio deste ano, em entrevista à revista “Sábado”, Ferreira Leite assegurou que se nas eleições de 2005 se o ex-primeiro-ministro tivesse ido a votos não o escolheria: “Quando fui votar no boletim de voto não estava lá o nome do Pedro Santana Lopes (...) Se lá estivesse o nome de Santana Lopes não votava. Só que no boletim estava PSD. E eu sempre votei PSD”.

São membros efectivos da comissão política nacional do PSD, além da presidente, Manuela Ferreira Leite, o secretário-geral do partido, Marques Guedes, os vice-presidentes Rui Rio, Paulo Mota Pinto, José Pedro Aguiar Branco, António Borges, Manuel Castro Almeida e Sofia Galvão e ainda sete vogais.

O vice-presidente congratulou-se ainda com a possibilidade de Santana Lopes poder vir a ter a “oportunidade de retomar o mandato que interrompeu” e informou que o PSD considerará “incompatível” a candidatura à presidência de uma autarquia com a candidatura ao lugar de deputado.

A comissão política distrital de Lisboa tinha já aprovado há dois meses uma proposta nesse sentido, no dia 14 de Outubro, e de acordo com os estatutos do partido cabia agora à comissão política nacional homologá-la ou não. O presidente da comissão política distrital de Lisboa, Carlos Carreiras, disse na altura que a candidatura de Santana Lopes só foi a votos na estrutura distrital porque tinha a aceitação da presidente do PSD, Manuela Ferreira Leite, o que nunca veio a ser confirmado publicamente.

A reunião de hoje foi convocada ontem internamente sem indicação de agenda, um sinal de que a aprovação de um pacote de candidaturas às eleições autárquicas seria um dos temas em cima da mesa. De acordo com alguns dirigentes social-democratas, a atenção mediática dedicada à eventual candidatura de Pedro Santana Lopes à Câmara Municipal de Lisboa e as notícias sobre a data da sua aprovação justificam a omissão da agenda do encontro.

A seguir, também na sede do partido, terá início às 21h30 horas uma reunião do Conselho Nacional do PSD para discutir o orçamento do partido para 2009 e a situação política do país.

Já foi deputado, eurodeputado, secretário de Estado, presidente de câmara, primeiro-ministro e até dirigente desportivo. Várias vezes derrotado dos congressos social-democratas, Pedro Santana Lopes nunca escondeu a sua ambição: ser primeiro-ministro (que conseguiu durante oito meses entre Julho de 2004 e Março de 2005) ou mesmo Presidente da República. Até agora só realizou o primeiro sonho e, segundo garantiu em entrevista ao PÚBLICO no início de Novembro, onde admitiu ser candidato à autarquia lisboeta, pretende cumprir, se ganhar, dois mandatos na câmara, que agora está nas mãos do socialista António Costa.

Notícia actualizada às 20h30