"Amor de Perdição" resgatada do silêncio

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Um século depois da estreia no São Carlos, a ópera "Amor de Perdição", de João Arroio, volta a subir aos palcos.

Criada há poucos meses com o objectivo de promover a ópera na região Norte, apostando na itinerância e na inserção profissional de jovens cantores, a companhia ÓperaNorte (com direcção artística de António Salgado) apresenta esta noite na Casa das Artes de Famalicão a sua primeira produção.

Trata-se da ópera "Amor de Perdição", de João Marcelino Arroyo (1861-1930), inspirada no famoso romance de Camilo de Castelo Branco, escrito em 1861. Segundo uma prática ainda vigente em Portugal nos inícios do século XX o libreto foi escrito em italiano por Francisco Bernardo mas nesta apresentação será cantado em português a partir de uma nova versão de Maria José Braga Santos. A acção passa-se no século XIX, entre Viseu e o Porto, descrevendo, como na história de "Romeu e Julieta", um amor com consequências trágicas, que tem como obstáculo à sua concretização a rivalidade entre duas famílias: os Albuquerque e os Botelho.

Nascido no Porto, João Arroio era filho do compositor espanhol Francisco Arroio e irmão do conhecido engenheiro e crítico de arte António Arroio. Distinguiu-se como orador brilhante e como político, dedicando-se em paralelo à composição. Em 1907 estreou no Teatro São Carlos o drama lírico "Amor de Perdição", ao qual tem sido atribuída alguma influência wagneriana, mas também características paralelas às das grandes óperas de Puccini e Massenet. A ópera foi repetida em Hamburgo, em 1910, mas até hoje nunca mais voltou a representar-se em Portugal. Depois da apresentação em Famalicão, a produção entrará em digressão, passando pelos teatros de Lamego (19 de Dezembro), Bragança (10 de Janeiro), Vila Real (17 de Janeiro) e Guimarães (31 de Janeiro).