John Cale representa o País de Gales em ano de surpresas em Veneza

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Depois dos realizadores-artistas Chantal Akerman e Steve McQueen, o músico vai estar na Bienal de Veneza

Uma cineasta-artista - Chantal Akerman - representa a Bélgica e outro cineasta-artista - Pedro Costa - esteve (estará ainda?) para representar Portugal. Um artista-realizador - Steve McQueen - representa o Reino Unido pela Inglaterra. E, agora, um músico - e que músico!, todo um monstro! - vai representar o País de Gales na Bienal de Veneza, o mais importante evento do calendário internacional da arte contemporânea. John Cale, um dos fundadores dos Velvet Underground, banda-mito dos anos 1960 e 1970 nova-iorquinos produzida por Andy Warhol, vai fazer para Veneza uma instalação audiovisual em que trabalhará a sua relação com o seu país natal, o País de Gales, que deixou para ir estudar música clássica para os Estados Unidos. O crítico de artes plásticas do "Guardian", Jonathan Jones, um conterrâneo, comentava ontem a notícia no tom nostálgico de quem nunca chegou a cortar laços com os Velvet (mas, e como cortar alguma vez com os Velvet?): "Quando me tornei jornalista tive oportunidades de revisitar a banda que me obcecara enquanto adolescente e saber mais sobre o seu ‘milieu'. Acima de tudo, uma vez tive a sorte de entrevistar brevemente o Cale por telefone. Depois de tantos anos fora, a sua pronúncia ainda está inflectida de profundos tons galeses. É uma voz maravilhosa. Vai ser fascinante ver este grande modernista escocês voltar às suas raízes."