Dez anos depois, galardão volta a reconhecer um arquitecto

Arquitecto João Luís Carrilho da Graça vence Prémio Pessoa 2008

O arquitecto João Luís Carrilho da Graça é o vencedor do Prémio Pessoa 2008. Segundo o júri, o galardão é merecido devido a uma obra de "grande rigor e coerência" e pelo facto Carrilho da Graça ter contribuido para a formação de novos arquitectos.

Carrilho da Graça foi autor, entre outras obras, do edifício da Escola Superior de Comunicação Social de Lisboa e do Pavilhão do Conhecimento dos Mares da Expo 98, actual Centro Ciência Viva, no Parque das Nações. Este ano concretizou o projecto de requalificação do antigo armazém que hoje alberga o Museu do Oriente.

"Carrilho da Graça tem desenvolvido, ao longo de 30 anos, uma actividade profissional com grande rigor e coerência, criando uma linguagem própria que adequa a cada situação específica", diz o comunicado do Prémio.

Carrilho de Graça nasceu em 1952 e licenciou-se em 1977 pela Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa. É professor em várias universidades portuguesas, entre elas a Universidade Autónoma, Universidade Técnica de Lisboa e Universidade de Évora e colabora com instituições internacionais.

É a segunda vez que o Prémio Pessoa contempla um arquitecto mas tal não acontecia há uma década, quando o eleito foi Eduardo Souto Moura, que este ano integrou o júri.

Em declarações aos jornalistas, Francisco Pinto Balsemão, presidente do júri, afirmou que este é um incentivo a um arquitecto ainda jovem, com 56 anos, de quem se espera ainda muito.

O júri foi composto pelo ex-Presidente da República Mário Soares, António Barreto, Clara Ferreira Alves, Diogo Lucena, Eduardo Souto de Moura, João José Fraústo da Silva, João Lobo Antunes, José Luís Porfírio, Maria de Sousa, Mário Soares e Rui Baião.

Instituído em 1987 pelo jornal "Expresso" e pela empresa Unisys, que este ano já não está associada ao prémio, agora patrocinado pela Caixa Geral de Depósitos por cinco anos, o prémio é constituído por um diploma e por um montante em dinheiro que subiu este ano de 50 mil para 60 mil euros.

Entre os distinguidos, encontram-se os historiadores José Mattoso (1987) e Irene Flunser Pimentel (2007), os poetas António Ramos Rosa (1988), Manuel Alegre (1999) e Herberto Helder (1994), que recusou o prémio, a pianista Maria João Pires (1989) e a pintora Menez (1990).

Os escritores Vasco Graça Moura (1995), José Cardoso Pires (1997) e Mário Cláudio (2004) são outras das figuras nacionais que mereceram o galardão, bem como os investigadores neurocientistas António Damásio e Hanna Damásio (1992), o investigador António Sobrinho Simões (2002), o neurocirurgião João Lobo Antunes (1996), o arqueólogo Cláudio Torres (1991) e o constitucionalista José Gomes Canotilho (2003).

O arquitecto Eduardo Souto de Moura (1998), o fotógrafo José Manuel Rodrigues (1999), o compositor Emmanuel Nunes (2000), o filósofo Fernando Gil, o presidente da Cinemateca Portuguesa, João Bénard da Costa (2001), o actor e encenador Luís Miguel Cintra (2005) e o professor António Câmara (2006), fundador da empresa de novas tecnologias YDreams, completam a lista de premiados.

Sugerir correcção