Crítica

Magnífica raridade

Portugal em pop de lírica inventiva e música contagiante.

Boas bandas, felizmente, vamos tendo bastantes. Bandas que, ao primeiro álbum, pareçam destinadas a marcar o seu tempo para além da mistura dança bem medida, um desvio africano à Vampire Weekend e um aforismo bem sacado: "Com mulheres que calçam o quarenta é melhor revelar prudência". Temos uma "Triunfo dos porcos" que, enquanto canta "Ai Portugal, meu país cheio de sonhos/ Não há quem te agarre a mão", nos recorda que Variações começou por gravar um glam-rock intitulado "Toma a vitamina". Temos o riff de "Louie Louie", que como sabemos, já é património da Humanidade, transformado "num passeio de Bragança a Faro" chamado "Com a morte nos calcanhares". E uma "Armada de pau" com refrão que é country marado e folclore urbano e que começa assim: "Ser bom português/ É morrer na casa de Fado/ É ter um 'casus belli'/ Com o vizinho do lado" - acabará, para nos confundir as coordenadas, em explosão eléctrica à The Who dos bons velhos tempos. Os Pontos Negros são rock'n'roll que respira a actualidade e que reflecte a sua história enquanto canta "eu só quero ver-me livre das tendências dos anos zero". São banda que transforma este país, e as pessoas deste país, em matéria pop de lírica inventiva e música contagiante. Tudo resumido: Rais parta o país se "Magnífico Material Inútil" não for coisa importante.