Ordem dos Farmacêuticos desaconselha Saúde 24

a A Ordem dos Farmacêuticos (OF) considera "grave" que o aconselhamento terapêutico na linha Saúde 24 seja feito por "colaboradores sem qualificação", uma situação que "poderá colocar em causa a saúde e qualidade de vida dos doentes e as terapêuticas que lhes forem prescritas". Deixando claro que não reconhece "validade às informações prestadas pelo serviço Saúde 24 em matéria de medicamentos", a Ordem "desaconselha, por isso, a população a recorrer àquele serviço, enquanto a entidade gestora [LCS-Linha de Cuidados de Saúde] não proceder à contratação de profissionais com formação e competências adequadas".Em comunicado, a Ordem alerta para a situação de "infracção" que está a ser cometida pelo facto de o "aconselhamento terapêutico - tal como é designado pela empresa - ser efectuado por colaboradores sem qualificação para o efeito, o que constitui não só uma infracção ao estatuto da OF como ao próprio contrato de concessão estabelecido entre a Direcção-Geral de Saúde e a Linha de Cuidados de Saúde, SA".
Esta posição da Ordem dos Farmacêuticos vem, assim, ao encontro das preocupações de um grupo de enfermeiras supervisoras da Saúde 24 que há um mês escreveu uma carta à ministra Ana Jorge dando-lhe conhecimento das "falhas graves" que aquele serviço regista. Entre elas está, precisamente, a questão de o "aconselhamento terapêutico não ser supervisionado por um farmacêutico, mas sim por técnicos de farmácia, cuja actividade não é monitorizada".
Prometendo manter-se vigilante em relação a informações sobre medicamentos, a Ordem mostra disponibilidade para resolver "um problema que considera grave e que poderá, inclusivamente, colocar em causa a saúde e qualidade de vida dos doentes e as terapêuticas que lhes forem prescritas".
O PÚBLICO tentou, por diversas vezes ao longo do dia de ontem, obter uma reacção da Direcção-Geral de Saúde, que é parceira da LCS na Saúde 24, mas sem qualquer sucesso.