Vítor Constâncio: "operações de centenas de milhões de euros do BPN eram clandestinas"

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O GOverno anunciou hoje a nacionalização do BPN José Carlos Coelho (arquivo)

Constâncio recusou-se a nomear responsáveis por essas operações, que levaram à situação de pré-falência da instituição, mas excluiu qualquer responsabilidade da actual e anterior administrações, lideradas por Miguel Cadilhe e Karim Vakil, respectivamente.

Horas antes desta conferência de imprensa, Teixeira dos Santos anunciou a decisão de nacionalização do capital do BPN, propriedade da Sociedade Lusa de Negócios, devido a uma situação “excepcional”, “delicada” e “anómala” vivida pela instituição bancária, que acumula prejuízos de 700 milhões de euros.

Parte deste montante total, cerca de 360 milhões de euros, está associado a operações com o Banco Insular, de Cabo Verde, controlado pela grupo SLN, que não constavam das contas do banco.

O governador do Banco de Portugal sublinhou que estas operações só foram do conhecimento do BdP a partir da entrada de Karim Vakil para a liderança do BPN (antecedeu à presidência de Miguel Cadilhe, que assumiu as rédeas do grupo há alguns meses) porque até aí as informações pedidas tinham sido vedadas pelas anteriores administrações do banco.

Por esse motivo, Constâncio não vê razões para suspender a actual administração, liderada por Miguel Cadilhe, como admite a lei que regula as intervenções públicas em entidades privadas.

À nova administração foi exigida a realização de uma auditoria externa, cujas primeiras conclusões já foram enviadas à Procuradoria-Geral da República, disse. No total, estão abertos seis processos de contra-ordenação ao BPN e aqueles que evidenciam potenciais ilicitudes já foram denunciados à PGR, confirmou o governador.

Depósitos dos clientes garantidos

O ministro das Finanças justificou a intervenção pública no BPN com a necessidade de proteger os depósitos dos seus clientes. Os clientes do banco “não podem estar mais seguros do que agora”, disse Teixeira dos Santos, e repetiu Vítor Constâncio.

A partir de agora, “não há nada que deve preocupar os clientes” do BPN, repetiu o ministro, acrescentando que a situação do banco é particular e não se relaciona directamente com a crise financeira internacional que levou à falência ou pré-falência de grandes instituições norte-americanas e europeias.

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