Pelo 17º ano consecutivo

Assembleia Geral da ONU volta a pedir fim do embargo americano a Cuba

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Mike Segar/Reuters (arquivo)

A Assembleia Geral das Nações Unidas voltou a aprovar, pela 17ª vez consecutiva, uma resolução pedindo o fim do embargo norte-americano a Cuba, em vigor há quase meio século.

A resolução, que ao contrário das iniciativas adoptadas pelo Conselho de Segurança, não tem valor vinculativo, foi aprovada por 185 dos 192 países representados no órgão plenário das Nações Unidas, tendo-se registado três votos contra (EUA, Israel, ilhas Palau) e duas abstenções (ilhas Marshall e Micronésia), não tendo estado presentes duas delegações.

A resolução, intitulada “Necessidade de levantar o bloqueio económico, comercial e financeiro imposto a Cuba pelos EUA”, foi aprovada no final de um debate que já se tornou um ritual em cada sessão plenária.

Apesar de os EUA não estarem obrigados a respeitar a resolução, até aqui sem qualquer efeito prática na posição de Washington em relação a Cuba, o documento reflecte a opinião internacional sobre o assunto e as sucessivas votações demonstram também a sua evolução: em 1992, 59 países apoiaram o fim do embargo, em 2004, eram já 179 nações a defendê-lo, um número que subiu para 184 no ano passado.

Imposto ao regime comunista cubano em 1962, após o fracasso da Baía dos Porcos (nome do local onde desembarcaram os refugiados cubanos, financiados e treinados pelos EUA para derrubar Fidel Castro) e das nacionalizações de empresas americanas em Cuba, o embargo não só proíbe relações comerciais entre americanos e cubanos, como impõe sanções a empresas e organismos estrangeiros que negociem com Havana. Cuba estima que “o mais velho embargo do mundo” tenha custado à economia nacional mais de 93 mil milhões de dólares.

Contudo, é pouco provável uma alteração, a curto prazo, da política externa americana: George W. Bush, que vai deixar a Casa Branca em Janeiro, classificou ainda recentemente Cuba como uma “masmorra”, e os dois candidatos à presidência comprometeram-se a manter o embargo em vigor, ainda que Barack Obama se tenha disponível para dialogar com o regime castrista e a autorizar os refugiados a enviar divisas para o país de origem.