Presidente diz que o país tem que estar preparado para todos os cenários

Rússia anuncia forte investimento em equipamento militar nuclear

Além de submarinos nucleares, a Rússia quer também dotar-se de um sistema de defesa aero-espacial
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Além de submarinos nucleares, a Rússia quer também dotar-se de um sistema de defesa aero-espacial Dmitry Astakhov/Reuters (arquivo)

A Rússia anunciou hoje que pretende dotar-se, até 2020, de um programa de defesa aeroespacial e de uma nova frota de submarinos nucleares, naquele que é o maior investimento na área da defesa em mais de uma década, anunciado num momento em que as relações com os EUA atravessam o momento difícil.

O anúncio foi feito pelo Presidente russo, Dmitri Medvedv, durante um exercício militar no Sul do país, o envolvendo forças terrestres aéreas e navais, já descrito como um dos maiores realizados por Moscovo nos últimos anos.

“Um sistema nuclear capaz de enfrentar várias circunstâncias políticas e militares deve estar apto até 2020”, anunciou Medvedev, acrescentando que a iniciativa incluirá “a construção em larga escala de novos modelos de vasos de guerra, em particular submarinos nucleares armados com mísseis de cruzeiro, e submarinos multifuncionais”.

“Será também criado um sistema de defesa aérea e espacial”, acrescentou Medvedev, sem no entanto revelar se este projecto surge como resposta ao ambicioso escudo antimíssil que os EUA pretendem concluir nos próximos anos, parte do qual ficará estacionado junto às fronteiras russas.

Contudo, o Presidente russo não esqueceu o actual momento de tensão com o Ocidente, ao afirmar que o recente conflito com a Geórgia veio demonstrar que o país deve continuar a investir nas suas forças armadas: “Ainda recentemente, tivemos que enfrentar a agressão desencadeada pelo regime georgiano e, como descobrimos, uma guerra pode surgir sem aviso e pode ser absolutamente real”.

Apesar da dimensão do projecto, um analista citado pela Reuters disse estranhar o investimento no equipamento nuclear, quando é sabido que as principais deficiências se centram nas forças convencionais, mais atingidas pelos anos de sub-investimento que se seguiram à queda da União Soviética.

“Trata-se de uma demonstração de poder contra o Ocidente”, afirmou o tenente-coronel Marcel de Haas, perito em segurança e questões russas do Instituto de Relações Internacionais da Holanda, dizendo acreditar que se trata de um anúncio “para consumo doméstico”.

Apostada em reconquistar o lugar perdido com o fim da URSS, a Rússia anunciou nos últimos anos grandes investimentos na renovação das suas Forças Armadas, financiado em boa parte pelos enormes proveitos resultantes da exploração das reservas de petróleo e gás natural. Vladimir Putin, agora no cargo de primeiro-ministro, anunciou que o orçamento do próximo ano vai dedicar 95 mil milhões de dólares ao sector da segurança, ou seja, mais 29 por cento do que no corrente ano, mas ainda assim muito longe dos 600 mil milhões de dólares gastos este ano pelos EUA.