“Guia de Espécies Submarinas” lançado hoje

Fauna submarina das Berlengas é representativa da diversidade da costa portuguesa

Na Berlenga concentram-se espécies de águas mais frias e de águas mais quentes
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Na Berlenga concentram-se espécies de águas mais frias e de águas mais quentes Mário Caldeira (arquivo)

A identificação de mais de trezentas espécies subaquáticas nas Berlengas, algumas delas observadas pela primeira vez em mergulhos, leva os especialistas a acreditar que esta reserva natural é uma “amostra” da diversidade da fauna da costa de Portugal continental.

“O que existe é bem representativo da fauna da costa portuguesa continental”, disse à agência Lusa o biólogo Nuno Vasco Rodrigues, um dos autores do livro “Guia de Espécies Submarinas”. O livro, que reúne informação sobre trezentas e vinte espécies identificadas na Berlenga através de mais de seiscentos mergulhos, é lançado hoje no Oceanário de Lisboa.

Segundo o investigador, na Berlenga existem características “únicas” na costa portuguesa continental que oferecem condições para as espécies vindas de outras paragens se adaptarem e conseguirem aí sobreviver.

“Na Berlenga concentram-se espécies de águas mais frias e de águas mais quentes, face à influência mediterrânica”, daí a sua biodiversidade”, referiu.

O aquecimento global do planeta é uma das hipóteses apontadas para haver espécies de águas mais quentes a fixar-se nas Berlengas, algumas das quais foram observadas pela primeira vez no trabalho preparatório deste guia.

É o que está a acontecer ao peixe “riscado” e ao crustáceo “cavaco” – uma espécie de lagosta mais pequena –, que são comuns na costa africana e nas ilhas da Madeira e dos Açores.

Espécies nunca fotografadas no país

No “Guia de Espécies Submarinas” estão referenciadas várias espécies de peixes, algas, anémonas, corais, crustáceos e moluscos, que foram objecto de várias sessões fotográficas entre 2001 e 2006 por parte de mergulhadores e investigadores.

“Há espécies que nunca tinham sido fotografadas nas Berlengas e mesmo em Portugal”, disse Nuno Rodrigues, para quem até agora “não existia” no mercado um guia tão completo de espécies existentes nas Berlengas.

“Tentámos criar algo que sirva para o simples pescador identificar uma espécie, para amantes de mergulho, investigadores e alunos da área da biologia marinha, apesar de ser um trabalho de investigação bastante profundo”, acrescentou.

O livro, da autoria de Nuno Rodrigues, Paulo Maranhão (biólogos e investigadores na Escola Superior de Tecnologia do Mar de Peniche), Pedro Oliveira e José Alberto Fernandes (mergulhadores), contou com a colaboração de meia centena de especialistas estrangeiros.

O guia possui mais de quatro centenas de fotografias, acompanhadas do nome científico e de descrições das características taxonómicas das espécies identificadas.