Lisboa é cem por cento ciclável e colinas são mitos, defende investigador

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Paulo Santos diz que não faz sentido andar de carro em Lisboa Vasco Neto (arquivo)

Após mais de cem dias e 1200 quilómetros de bicicleta percorridos em Lisboa, Paulo Guerra dos Santos concluiu que a capital "é cem por cento ciclável e que as desculpas das colinas, do tráfego e do clima são mitos".

"As colinas ocupam quinze por cento da área urbana da cidade. 80 por cento das cerca de 700 mil pessoas que habitam em Lisboa moram e trabalham fora das áreas das colinas. A maioria dos fluxos que se fazem dentro da cidade (casa-trabalho) são na marginal e no eixo Baixa-Campo Grande, na sua maioria zonas planas ou muito suaves", explicou à Lusa o investigador, responsável pelo projecto "100 dias de bicicleta na cidade de Lisboa".

O clima é "um dos melhores da Europa, nunca está demasiado frio nem demasiado calor".

O tráfego automóvel é um problema "apenas no início", e até levou Paulo Santos a pedalar nos passeios.

"Quando comecei o projecto não fazia ideia do que era andar em Lisboa de bicicleta. Nem bicicleta tinha. Tive de pedir uma emprestada. As duas primeiras semanas foram difíceis. Confesso que andei muito em cima de passeios, mas fui desaconselhado a abandoná-los e a passar para a estrada. Aos poucos vamos ganhando confiança e deixamos de olhar para trás", recordou.

Além de desfazer mitos, Paulo Santos conferiu que "andar de carro não faz sentido e é um custo enorme".

"A bicicleta custou-me 300 euros e já está mais do que paga com o dinheiro que poupei em gasolina e passes", referiu.

Mas há mais, andar de bicicleta também traz benefícios para a saúde, "com pouco esforço ajuda a manter uma certa forma física".

Acima de tudo é "um excelente veículo para promover a mobilidade".

Em Lisboa faltam ciclovias, que podem ser providenciadas "com algo tão simples como uma mudança na legislação que permita que as bicicletas possam partilhar a faixa do 'bus'".

"Há zonas em que é possível estreitar as faixas dos automóveis e alargar a do 'bus', colocando ali um metro especificamente para o ciclista e há muitas avenidas onde há espaço para isso não prejudicando", defendeu o investigador.

Alargar o horário em que as bicicletas podem ser transportadas no metro "também seria benéfico", bem como adoptar uma ideia já aplicada em algumas cidades norte-americanas: "colocar ganchos na frente dos autocarros onde dá para pendurar duas ou três bicicletas".

O projecto acabou e o investigador garante que vai continuar a utilizar a bicicleta para deslocar-se na cidade e deixa um recado: "é preciso criar a noção que os carros não são bem-vindos no centro".

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