Crítica

Antes que o diabo saiba que morreste

É sempre bom ver um veterano como Sidney Lumet, autor de títulos clássicos como "Serpico", "Um Dia de Cão" ou "Escândalo na TV", provar que ainda há espaço para o cinema clássico numa paisagem que parece ignorá-lo.

Contando em cronologia fragmentada os motivos e consequências de um assalto que acaba mal a uma pequena ourivesaria suburbana, o que parece um policial revela-se uma tragédia familiar com laivos de classicismo grego, superiormente interpretada por Philip Seymour Hoffman, Ethan Hawke e Albert Finney, bem sustentados por um elenco de secundários que explica muito bem o que é que o conceito quer dizer. As performances de excepção e a inteligência da encenação de Lumet são mais que suficientes para nos fazer esquecer uma ou outra implausibilidade narrativa, este ou aquele escorregão em direcção ao melodrama mais arrevesado, o pontual lugar-comum psicológico.