Os colégios eleitorais de Obama

A vitória de Obama nas Presidenciais dos EUA só está em causa se perder em simultâneo a Pensilvânia, Michigan e Ohio

Dissecar as possibilidades de uma vitória de Barack Obama exige relembrar o peso diferenciado dos Estados no colégio que elege o Presidente dos EUA. E notar que o candidato mais votado em certo estado a 4 de Novembro recebe, posteriormente, a totalidade dos votos desse estado no colégio. Assim, é essencial olhar para as sondagens estaduais para se construir uma previsão.A primeira evidência que estas sugerem é a rigidez de voto da generalidade dos estados, face ao que foi a sua votação recente: pelo menos 42 estados parecem surgir como bastiões de um ou outro partido. Dezanove desses estados estão com Obama (representando 221 votos colegiais). Falamos de todo o Nordeste, Delaware, Maryland, da Costa Oeste, e alguns Estados do Midwest: Wisconsin, Minnesota, Illinois e Iowa. Além do Havai. Dos Estados que votaram em John Kerry em 2004, excluímos o Michigan (apesar da sua inclinação democrata, mas onde a eventual presença de Mitt Romney no ticket republicano poderia dar a vitória a McCain). A perda do Michigan representaria menos 17 votos para Obama face a 2004. Contudo, admitimos um ganho de sete votos em relação a Kerry, respeitantes ao Iowa. Para já, deixamos de lado a Pensilvânia.
McCain faz o quase pleno do Sul tradicional. Como notou recentemente o prof. Thomas Schaller, autor de How Democrats Can Win Without the South, o argumento de que Obama pode ganhar o Sul é utópico. Mesmo na Florida as sondagens favorecem McCain, embora por margens menos representativas. Vamos incluí-la nas putativas vitórias republicanas. De lado fica somente a Virgínia.
Na Appalachia, a vitória dos republicanos é incontestável. Bem como em alguns estados das Montanhas Rochosas, na chamada mormon belt, em particular no Utah, e, por fim, em estados como o Kansas, Nebraska, Oklahoma, Missuri e Alasca. Ainda que o Montana e o Dacota do Norte possam ser as surpresas da temporada, tornando-se blue states. E ainda que o Nevada seja um clássico swing state, com as últimas sondagens a produzir empates técnicos.
Como pode então Obama aumentar os 221 votos que definimos até à necessária maioria dos 270? Nos poucos estados que estão verdadeiramente em disputa: o Colorado, o Novo México, a Virgínia e, sobretudo, a velha cintura industrial: Michigan, Indiana, Ohio, e Pensilvânia.
Destes, as sondagens apontam a Pensilvânia como razoavelmente segura, o que garantiria mais 21 votos (passando a 242). Obama parece em posição de retirar dois estados do Oeste à maioria de Bush: o Colorado e o Novo México, subindo a fasquia até aos 256. É fácil agora antever que, se não perder o Michigan (17 votos), Obama ultrapassa a barreira dos 270. Perdendo o Michigan, mas ganhando os 20 votos do Ohio à maioria de Bush, a vitória estaria também de imediato garantida. Perdendo os dois, uma hipotética vitória combinada na Virgínia (13) e no Indiana (11) daria a presidência a Obama. Se apenas ganhar num destes, bastaria adicionar os cinco votos do Nevada, ou as eventuais surpresas do Montana ou do Dacota do Norte.
Em síntese, há múltiplos cenários em que Obama pode ganhar. A vitória só estaria em causa num quadro de perda simultânea da Pensilvânia, Michigan e Ohio. Contudo, alguns milhares de simulações computacionais, calibradas com médias móveis das sondagens mais recentes, mostram que se Obama pode ganhar facilmente sem o Ohio, não se vislumbra um único cenário em que, vencendo aí, perca as eleições. Nesse exercício, McCain nunca vence sem o Ohio, e só em 1 por cento das iterações vence as eleições. Professor universitário. Faculdade de Economia e Gestão da Universidade Católica Portuguesa