Contrariamente ao que diz a Quercus

Câmara de Peniche responsabiliza gaivotas pela poluição da água das Berlengas

A autarquia assegura que a descarga de efluentes não está relacionada com a interdição da praia
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A autarquia assegura que a descarga de efluentes não está relacionada com a interdição da praia Nelson Garrido (arquivo)

O presidente da Câmara de Peniche defendeu hoje que a má qualidade da água da praia da ilha das Berlengas se deve aos excrementos de gaivota e não à falta de tratamento das águas residuais, como sustenta a Quercus. Segundo o autarca António José Correia a má qualidade da água é causada pelos excrementos do elevado número de gaivotas que habita a ilha, já que se verificou que "quanto mais carga humana a ilha tem, melhor é a qualidade da água".

"A Quercus não teve em conta a especificidade das Berlengas, porque o facto de ter estado interdita não teve a ver com a descarga de efluentes" no mar, disse o presidente da autarquia.

A associação ambientalista divulgou uma lista de 17 praias que estiveram interditas de Maio a Agosto, sendo o caso mais preocupante a praia das Berlengas que, nesta época balnear, "apresentou maior número de análises más" (três). Para os ambientalistas, a má qualidade das águas ficou-se a dever à "incapacidade de tratamento adequado dos efluentes gerados na ilha".

No entanto, António José Correia adiantou que a autarquia e a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo (CCDRLVT) estão a tentar perceber as causas do problema que levou à interdição da praia em Junho. "A Câmara mandou fazer análises para ver se os excrementos das gaivotas têm impacto na qualidade da água", disse o autarca, que pediu um estudo de ADN dos excrementos destas aves à Universidade de Aveiro, cujos resultados preliminares deverão ser conhecidas em Setembro.

O presidente da Câmara lamenta que a associação ambientalista tenha sugerido que sejam tomadas medidas e explicadas as causas do problema, quando está já delineado um plano de intervenção. A Câmara teve uma reunião em meados de Julho com a CCDRLVT e com elementos da Reserva Natural das Berlengas. Além do estudo pedido à Universidade de Aveiro, ficou decidido reforçar a monitorização da qualidade da água na ilha e das areias.

Quanto ao tratamento das águas residuais, a autarquia e vários parceiros tecnológicos, um dos quais a Águas de Portugal, tem em curso um projecto de auto-sustentabilidade para a ilha, que prevê a criação de um sistema de remoção e tratamento dos efluentes (tamisagem), antes de serem despejados no mar. De acordo com António José Correia, "das últimas cinco análises que foram feitas em Julho e Agosto quatro são boas e uma é aceitável", pelo que as águas balneares nas Berlengas "recomendam-se" e a praia não está interdita.