600 livros e publicações periódicas

Biblioteca da Universidade de Coimbra é a primeira do país a colocar livros no Google

O conteúdo das obras deverá estar pesquisável em books.google.com dentro de poucas semanas
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O conteúdo das obras deverá estar pesquisável em books.google.com dentro de poucas semanas Darren Staples/Reuters (arquivo)

A Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra (UC) vai disponibilizar na íntegra 600 livros e publicações periódicas no motor de busca especializado em livros do Google. A parceria, inédita em instituições portuguesas, é formalizada amanhã entre a universidade e o Google Portugal e o conteúdo das obras, que já está a ser digitalizado, deverá estar pesquisável em books.google.com dentro de poucas semanas.

As 600 publicações são "obras de importância cultural, histórica e académica", explica o director da Biblioteca Geral da UC, Carlos Fiolhais. Em muitos casos, são volumes editados pela própria biblioteca (que já funcionou também como editora), vários deles escritos por professores e cujas edições esgotaram. Do grupo de obras seleccionadas para digitalização fazem ainda parte revistas da universidade.

Fiolhais nota que a Biblioteca Geral tem mais de um milhão de volumes (o número exacto não é sequer conhecido) e que este é apenas um primeiro passo, havendo, da parte da biblioteca, desejo de alargar o acordo com o Google, que assumiu todos os custos de digitalização das 600 obras. Uma das hipóteses, avança Fiolhais, seria a disponibilização on-line do acervo da histórica Biblioteca Joanina, que contém aproximadamente 200 mil volumes, dos séculos XVI a XIX. "Se não for com o Google, procuramos outra empresa", disse o responsável.

A Biblioteca Geral da UC é a primeira do país a disponibilizar parte do seu acervo no serviço de pesquisa de livros do Google. Esta ferramenta integra já milhares de obras em várias línguas. Muitas, por questões de direito de autor, estão apenas parcialmente disponíveis, mas o conteúdo pode ser pesquisado com recurso a palavras-chave, como se de uma página web se tratasse.

Quando o Google avançou com um motor de pesquisa de livros, digitalizando obras das quais não detinha os direitos, houve um coro de protestos por parte de autores e editoras. A empresa, porém, argumenta que publicar excertos está em conformidade com a legislação americana. Por outro lado, as obras que são disponibilizadas na íntegra estão já no domínio público ou foram colocadas on-line ao abrigo de parcerias, nomeadamente com várias universidades.

Sublinhando que os direitos de autor são uma questão que não se coloca no caso dos livros da UC, Carlos Fiolhais defende que "a Internet não é inimiga dos livros" e que a digitalização e publicação on-line permite "aumentar o acesso por parte da comunidade interessada", libertando o "conhecimento que está encerrado nos livros e se torna acessível pela tecnologia".

Fiolhais dá o exemplo da Biblioteca Joanina, uma atracção turística de Coimbra. Muitas pessoas não podem deslocar-se ao local mas, estando os livros on-line, "pode a biblioteca ir ao encontro das pessoas, até ao ecrã do computador ou do telemóvel".