Crítica

O Acontecimento

É como se, depois do tropeção de "A Senhora da Água", tentativa louvável mas falhada de fazer outra coisa que não thrillers de volta na ponta paredes-meias com o fantástico, M. Night Shyamalan tivesse ficado (passe a expressão) com medo da água e quisesse ver se ainda sabe nadar.

"O Acontecimento" é, por isso, umpasso atrás na carreira do cineasta,uma espécie de retorno a territóriomais seguro - mas um mau passoatrás, desbaratando uma excelenteideia de base (o Noroeste dos EUA vêseinvadido por uma misteriosatoxina que leva ao suicídio colectivo,um casal desavindo e a filha de umamigo procuram escapar ao horror)numa fita mole, morna, feita empiloto automático, cheia de lugarescomunsaos quais o realizador pareceincapaz de emprestar qualquerfrescura. É legítimo perguntar seeste é o mesmo Shyamalan de "OSexto Sentido" ou "A Vila" - e, aespaços (mas são poucos...) háflashes do filme de "terrorpastoral" que "O Acontecimento"podia ter sido.