Boris Johnson assume presidência da Câmara de Londres coroando sucesso dos tories

a Coroando a vitória eleitoral dos conservadores nas eleições locais veio a tomada de posse ontem de Boris Johnson como presidente da Câmara de Londres. O candidato dos tories, que era conhecido como o bobo da corte, passa agora a estar à frente da gigante máquina que é a Câmara de Londres.Ontem, Johnson prometeu atacar a ameaça do crime no sistema de transportes de Londres como uma prioridade-chave do seu mandato. Aliás, num momento memorável da campanha, Boris tinha sugerido que iria tirar os passes gratuitos aos jovens que protagonizassem crimes dos autocarros ou metro, e Ken Livingstone, o então mayor, levantou-se e disse: "Boa ideia - vou roubá-la!"
No final, a votação deu 53 por cento para Johnson, 47 para Livingstone.
Ontem, Johnson assinou, na câmara, a declaração de posse, elogiando Livingstone - pelo modo corajoso como enfrentou inimigos, "especialmente no New Labour". Afirmou que o mayor "deu proeminência nacional ao cargo" e, quando Londres foi atacada a 7 de Julho de 2005, Livingstone "falou pela capital".
Johnson afirmou ainda que esperava "descobrir um modo para que a câmara consiga continuar a beneficiar do seu [de Livingstone] amor transparente por Londres".
Atrás dele, o mayor derrotado parecia descoroçoado. "I"m sorry", disse depois, assumindo a responsabilidade pela derrota.
Quanto a Boris (tanto o conservador como o trabalhista são tratados pelo primeiro nome), a imprensa britânica falou muito do velho Boris contra o novo Boris - sendo o velho famoso pelas gaffes frequentes.
Velho Boris vs. novo Boris
Desde a vez em que chamou "canibais" aos habitantes da Papua Nova Guiné ao slogan em que prometia mamas maiores às mulheres dos eleitores conservadores em Henley. O novo é o político mais sério que concorreu à Câmara de Londres e que está preocupado na gestão séria da cidade - tendo sob sua alçada os gigantes transportes, bombeiros e polícia, planeamento de habitação, etc.
"Fui eleito como o novo Boris e vou governar como o novo Boris, ou lá como é que era a frase", brincou depois em declarações aos jornalistas, pegando na frase de Tony Blair sobre o New Labour, nota o Guardian.
Os perfis sobre Johnson sublinham a sua inteligência, mas a BBC diz que tem "uma capacidade constante para sabotar a sua carreira com o seu sentido de divertimento, e a aparente recusa de se levar demasiado a sério".
Enfim, Londres coroa assim resultados tão bons para os conservadores como maus para os trabalhistas (um jornal falava mesmo do "massacre do primeiro de Maio" para o Labour).
Um espinho para Cameron
David Cameron, o líder dos tories, estava extasiado com a vitória, mas analistas sublinham que Boris pode ser um espinho na sua tentativa de tirar os trabalhistas do poder nas próximas eleições, que devem ser antes de 2010. Se o velho Boris regressar, Cameron terá de passar o tempo a defender-se dele, e isso não é bom para as suas hipóteses de chegar a Downing Street.
Um episódio relatado pela BBC: Cameron tinha elogiado a iniciativa do cozinheiro Jamie Oliver para refeições mais saudáveis nas cantinas escolares. Johnson disse aos seus interlocutores: "Se eu mandasse, via-me livre do Jamie Oliver e dizia às pessoas para comerem o que quiserem". Quando a frase foi aproveitada pelos media, Boris afirmou que não tinha sido bem citado e chamou a Oliver "um santo".
Mas com ou sem gaffes de Boris, Cameron parece ter muito mais hipóteses de levar o Partido Conservador ao Governo do que os trabalhistas: os tories obtiveram 44 por cento do total nacional de votos nestas locais em Inglaterra e País de Gales, e os trabalhistas, com 24 por cento, tiveram o pior resultado dos últimos 40 anos em eleições locais.
Responsáveis do Labour multiplicaram-se em intervenções, admitindo o peso dos resultados mas tentando apontar para uma razão para além dos erros de Gordon Brown, repetindo o mantra: economia, economia, economia. A Grã-Bretanha atravessa um período complicado, com o aumento do número de pessoas que não conseguem pagar as hipotecas, com o preço das casas a descer, assim como o nível de construção, que é um dos mais baixos da última década.