Daniel Maia é o terceiro português a desenhar para a editora de BD Marvel no último ano

Seleccionado numa busca internacional de talentos, Maia diz que o interesse estrangeiro é "uma bóia de salvação" para portugueses que queiram carreira na BD

a Daniel Maia é o terceiro artista português escolhido no último ano pela editora norte-americana de comics Marvel para desenhar um dos seus livros. O ilustrador está já a trabalhar no Ms. Marvel Special, o livro que lhe coube em sorte na sequência da caça de talentos internacional da editora, que passou por Lisboa em Novembro. O one-shot, número 2 da série dedicada à super-heroína, escrito por Brian Reed e ilustrado por Daniel Maia, deve sair até ao final deste ano."Foi surpreendente, não estava à espera", diz o ilustrador de 30 anos, que foi ao Fórum Fantástico de Lisboa, onde esteve o editor e caça-talentos da Marvel C.B. Cebulski, sem a intenção de concorrer à busca de novos talentos ChesterQuest. Mas levou um portfolio e acabou por mostrá-lo.
"Estava hesitante, já tinha tido "raspões" com a Marvel" e até tinha um agente em contactos com a editora, explicou ao PÚBLICO. Há uns anos, Daniel Maia parecia fadado a ser, com Miguel Montenegro, um dos pioneiros portugueses nas grandes editoras de comics dos EUA. Mas questões circunstanciais - outros trabalhos ou escolhas das editoras - foram sempre "sabotando" as suas tentativas.
Chegou a esboçar trabalhos sobre a personagem Justiceiro para a Marvel e, em 2006, foi-lhe pedido que trabalhasse Miss Marvel, associada aos Vingadores e aos X-Men, para o "estudarem para essa personagem". Mas só agora começou um projecto garantido com a editora.
A série em que está a desenhar "quase funciona como um tributo aos comics da silver age [anos 1960 e 70]", cheios de metrópoles, ilhas secretas e sábios do Mal. "É um trabalho de fôlego."
Daniel Maia segue assim os passos de Ricardo Tércio e João Lemos, que em 2007 publicaram pela Marvel na série especial Avengers Fairy Tales. Miguel Montenegro foi o primeiro, em 2003, a trabalhar com a editora, tornando-se o primeiro português a desenhar uma capa (o n.º 51 dos Espantosos X-Men), em 2004.
Nos últimos anos, a editora tem expandido as suas já multinacionais listas de autores. A ChesterQuest ti-
nha como objectivo identificar 12 novos talentos, mas acabou por resultar em mais de 20 contratações. "Estamos a ganhar uma nova voz e uma nova imagem", comentou Cebulski ao PÚBLICO em Novembro, e com o alcance mundial dos filmes de super--heróis "notámos que estas novas demografias pedem novos estilos".
E Portugal está no mapa Marvel pela terceira vez num ano. "Haver agora uma leva de autores é sintomático do nosso mercado, que é altamente disfuncional e limitativo", comenta Daniel Maia. "As oportunidades que surgem do estrangeiro, seja do mercado francófono ou americano, são a bóia de salvação para que os nossos bons autores se profissionalizem nesta área."