Rangers bateram o Sporting em 1971 e venceram a Taça das Taças

"Um adversário de qualidade", garante Paulo Bento. Caso os portugueses cheguem às meias-finais, defrontam o vencedor do Fiorentina-PSV

a Estádio José Alvalade, 3 de Novembro de 1971. Um golo de Fernando Gomes, a três minutos dos 90", igualou a segunda eliminatória da extinta Taça das Taças entre o Sporting e o Rangers, que vencera os portugueses na Escócia, por 3-2, duas semanas antes. Do prolongamento resultaram mais dois golos, um para cada equipa, fixando o resultado final em 4-3. Por lapso, o árbitro apontou para o desempate por penáltis, que deu a passagem aos "leões", mas o erro foi detectado a tempo, seguindo em frente os britânicos, graças aos golos apontados em Lisboa. A equipa de Glasgow acabaria por conquistar o troféu, ao bater na final o Dínamo de Moscovo (3-2).O balanço do único encontro que envolveu as duas equipas para as competições europeias deixou claramente boas memórias na Escócia. Mais de 36 anos depois, o sorteio da Taça UEFA, realizado ontem em Nyon, na Suíça, voltou a cruzar os destinos dos dois clubes, agora na luta pela passagem às meias-finais da prova. "Esperemos que a história se repita", desejou ontem Walter Smith, treinador do Rangers, citado pelo site do clube na Internet.
O futebol britânico, em versão gaélica, volta, assim, a cruzar-se com o Sporting, que acabou de eliminar nos oitavos-de-final o Bolton da Premier League inglesa. No conjunto dos 10 encontros que opuseram sportinguistas a adversários escoceses (Dundee, 1962-63; Glasgow Rangers, 1971-72; Hibernian, 1972-73; Celtic, 1993-94), verifica-se um empate: cinco vitórias para cada lado. Os lisboetas apontaram 15 golos e sofreram 23 (19 dos quais na Escócia).
"O Rangers será, seguramente, um adversário de qualidade, com características próximas do estilo de jogo britânico e que, nas duas eliminatórias anteriores, eliminou o actual líder do campeonato da Grécia e uma equipa que veio da Liga dos Campeões", avisou ontem Paulo Bento, também em declarações ao site do Sporting, referindo-se ao afastamento do Panathinaikos de José Peseiro (16-avos-de-final) e do Werder Bremen de Hugo Almeida (nos "oitavos").
"Já nos apurámos frente a uma das equipas que estava entre as favoritas e esperamos poder continuar em frente", comentou Smith, esperançado em manter com o Sporting a boa impressão que a sua equipa tem deixado a nível europeu esta temporada.
Em Bremen, o português Hugo Almeida foi disso testemunha, na quinta-feira. "O Rangers é muito forte em casa e é uma excelente equipa", comentou ontem à Antena 1 o avançado português, que viu a sua equipa perder na Escócia, por 2-0 (venceu em casa, por apenas 1-0, na segunda mão). "Não tem jogadores muito fortes, mas jogam ao estilo escocês, com entradas duras e quando é para jogar também o sabem fazer", indicou, defendendo que a equipa portuguesa, se jogar "normalmente" e "não cometer erros", tem condições de seguir para as meias-finais.
Tal como o Sporting, a presente campanha do Rangers na UEFA iniciou-se na Liga dos Campeões, depois de ter afastado os montenegrinos do Zeta e os sérvios do Estrela Vermelha nas eliminatórias de acesso à competição milionária. No Grupo E, os britânicos ficaram em terceiro lugar, à frente do Estugarda e atrás do Barcelona e Lyon, transitando para a segunda competição uefeira.
Quem passar esta eliminatória irá defrontar, na meia-final, o vencedor do Fiorentina-PSV. O outro encontro será disputado entre os apurados das partidas Bayern Munique-Getafe e Bayer Leverkusen-Zenit.
Fundado em 1873, o Rangers prepara-se para comemorar o seu 135.º aniversário com a conquista do seu 52.º título de campeão escocês. Lidera a prova com 68 pontos, mais três que o arqui-rival Celtic, e tem ainda menos um jogo. Mas, ao contrário do que se poderia pensar pela quantidade de títulos (a nível internacional ganhou a Taça das Taças em 1972), o Rangers está longe de ser uma formação de topo a nível internacional.
Os campeonatos são discutidos quase em exclusivo com o Celtic. Um duelo que, contudo, vai além de uma mera disputa futebolística e passa também para o campo da religião, com um emblema a representar os protestantes (Rangers) e outro a acolher os católicos (Celtic). A rivalidade é tal que, durante décadas, o Rangers não aceitou futebolistas católicos. Só em 1989, quando assinou com Mo Johnston, quebrou essa barreira.
Mo abriu os horizontes do Rangers, que mais tarde encontrou no Chile o judeu Sebastián Rozental, que viria a ser uma das estrelas do clube no final da década de 90. Posteriormente passaram pelo estádio Ibrox Park, com capacidade para 50.444 espectadores, alguns jogadores conhecidos a nível internacional, entre os quais Paul Gascoigne, Brian Laudrup ou Claudio Caniggia.
Actualmente, a principal referência do Rangers é Barry Ferguson: um médio, de 30 anos, que fez toda a sua formação no Rangers e que falhou a sua sorte no futebol inglês, mais precisamente com uma passagem inglória pelo Blackburn Rovers. Kris Boyd, também internacional escocês, é o melhor marcador da equipa. Tem 24 anos e já leva 18 golos esta temporada. É a estrela de uma formação que conta ainda com jogadores que gostam de marcar golos, como é o caso do espanhol Nacho Novo. No Rangers joga também Andy Webster, um futebolista escocês que fez história, mas fora dos relvados, ao aproveitar o artigo 17 do Regulamento de Transferências da FIFA, existente desde 2001, para abandonar o Hearts e assinar na altura pelos ingleses do Wigan.
Agora na Escócia, Webster vai com o Rangers defrontar o terceiro adversário consecutivo na Taça UEFA a equipar de verde e branco. Depois do Panathinaikos e do Werder Bremen, chegou a vez do Sporting. Manuel Mendes