Uma sessão de coaching na primeira pessoa

Vou pensar na ideia de fazer dieta

Eu não estou disponível para fazer dieta. Ponto final parágrafo, não se fala mais nisso. E, antes que os que me conhecem melhor e se sentem com autoridade moral para insistir e insistir e insistir (que chatos!) se preparem para abrir a boca, não fui eu que cheguei a esta conclusão. Foi a minha coach e ela sabe do que fala. Não se fala mais nisso.Abrir parêntesis. Quando contactei Alexandra Barosa Pereira e lhe perguntei se podia assistir a uma sessão de coaching ela disse logo que não. Que as sessões são completamente confidenciais, que quando está a trabalhar não permite que elementos estranhos ao processo estejam presentes (lembras-te, Nuno Ferreira Santos?), que a privacidade entre cliente e coach é fundamental, que, que, que... No entanto, fez uma contraproposta: estava disponível para me fazer uma sessão de coaching. Uma só, para que eu pudesse mergulhar, ainda que à pressa, nesse imenso mar que é o coaching. Aceitei e o que se segue é um relato da minha experiência. Fechar parêntesis.
"É capaz de me contar uma vitória que tenha tido na última semana?". A pergunta apanhou-me completamente desprevenida, fiquei a olhar para a Alexandra como um burro olha para um palácio (embora ainda ninguém saiba como é que um burro olha para um palácio, mas enfim...). A sério que fiz um esforço, mas não me consegui lembrar de nada em concreto. Nada, zero, rien de rien. "Bem, não fiz nada de especial, regressei de férias e a semana seguinte ao regresso de férias nunca é boa", tentei justificar-me.
Bem vistas as coisas, só fui capaz de elencar coisas que não correram bem e não gostei nada disso - então eu sempre achei que não era uma pessoa pessimista e fui logo cair no enorme saco que acolhe a imensa maioria dos portugueses, derrotistas por natureza? Não gostei nada disto, Alexandra, não gostei mesmo!
Posso abrir outro parêntesis? A Alexandra tinha-me dito, antes de apanhar o comboio para Lisboa, para pensar num objectivo que gostasse de concretizar na minha vida para que pudéssemos fazer a sessão de coaching. Escolhi dois: um mais prosaico (a dieta, ai a dieta!), outro de cariz profissional. Este não vou dizer qual é, que as sessões de coaching são completamente confidenciais. Fechar parêntesis.
Identificados os objectivos, a coach começou a fazer-me perguntas várias. A primeira: "Porque é que quer fazer dieta, Sandra?". "Porque tenho níveis de colesterol muito altos, a médica está sempre a insistir que tenho de comer com qualidade", respondo, segura de mim. "E porque é que não faz?". "Porque não consigo, porque almoço todos os dias fora de casa, porque às vezes também janto fora de casa, porque gosto muito de comer, porque adoro queijos e enchidos, porque...", disparo, já ligeiramente envergonhada. Ao fim de poucos minutos, a sentença: "A Sandra não está disponível para fazer dieta, não posso coachá-la. Não se pode coachar alguém que não está minimamente empenhado em cumprir o objectivo". Engulo em seco, toma lá que já almoçaste!
Explicar como foi trabalhado o meu objectivo profissional é mais difícil, uma vez que não quero (não posso, o coaching é confidencial) dizer qual é. Digo-vos só isto: a Alexandra dá luta e toca em pontos sensíveis. Admito que me deixou a pensar e desconfio que, se o programa de coaching continuasse, talvez um dia destes fosse bater à porta da direcção. Talvez vá mesmo, quem sabe?. Para já, vou tentar empenhar-me a sério na ideia de fazer dieta. Já é um princípio... S. S. C.