Com o livro "O Remorso de Baltazar Serapião"

valter hugo mãe venceu Prémio Literário José Saramago 2007

valter hugo mãe é poeta e editor
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valter hugo mãe é poeta e editor Fernando Veludo/PÚBLICO (Arquivo)

O poeta e editor valter hugo mãe (na escrita do autor as maiúsculas estão ausentes) venceu hoje a edição de 2007 do Prémio Literário José Saramago com a obra “o remorso de baltazar serapião”.

No anúncio a presidente do júri, Guilhermina Gomes, revelou a unanimidade da decisão de um júri "especial e dificilmente alcançável": Maria de Santa Cruz, Nazaré Gomes dos Santos, Manuel Frias Martins, Nélida Piñon, Pilar del Rio, Vasco Graça Moura e Ana Paula Tavares.

Ao receber o prémio, valter hugo mãe afirmou: “Estou muito aflito. É profundamente chocante receber este prémio desta forma. Estou habituado a pensar na escrita como um exercício de solidão e hoje sinto-me muito acompanhado”.

O escritor que dá o nome ao galardão, José Saramago, classificou o livro como um “tsunami”. Saramago acrescentou que o adjectiva assim “no sentido total, linguístico, estilístico, semântico e sintáctico. Não no sentido destrutivo, mas no sentido do ímpeto e da força”.

O premiado garante que a sua “forma de protestar é expôr, e o livro manifesta de uma forma asquerosa o que alguns homens pensam sobre as mulheres”.

A obra premiada conta a história de uma família na Idade Média, onde o protagonista, baltazar, que vive entre a pobreza e a violência, descobre que a vaca, animal de estimação, tem tanta importância como a sua mãe. Porém, no meio da escuridão, baltazar vê a luz: Chama-se ermesinda e é a mais bela e ajuizada da aldeia. Os protagonistas casam-se e, pouco tempo depois, o senhor exige a ermesinda que o visite todos os dias pela manhã, antes da sua mulher acordar. O que se passa nos encontros ninguém sabe, mas é o suficiente para baltazar enlouquecer.

Escrito numa linguagem que pretende representar a língua arcaica e rude do povo ignorante medieval, “o remorso de baltazar serapião” é um romance sobre o poder sinistro do amor e uma metáfora da violência doméstica.

valter hugo mãe é poeta e editor. Nasceu em 1971 na cidade angolana Henrique de Carvalho. Vive em Vila do Conde. Publicou nove livros de poesia, entre os quais "egon schielle auto-retrato de dupla encarnação" (Prémio de Poesia Almeida Garrett), "três minutos antes de a maré encher", "cobrição das filhas" e "útero e o resto da minha alegria".

É autor das seguintes antologias: "o encantador de palavras", poesia de Manoel de Barros, "série poeta", homenagem a Julio-Saúl Dias, "quem quer casar com a poetisa", poesia de Adília Lopes, "o futuro em anos-luz, 100 anos, 100 poetas, 100 poemas", para o Porto 2001 e "desfocados pelo vento, a poesia dos Anos 80, agora".

Alguns dos seus poemas estão traduzidos e editados em espanhol, francês, inglês, checo e árabe.

Foi responsável, juntamente com Jorge Reis-Sá, pelas Quasi edições, editora de autores como Mário Soares, Caetano Veloso, Adriana Calcanhotto, António Ramos Rosa, Artur do Cruzeiro Seixas, Ferreira Gullar e muitos outros. Também, co-dirige a revista Apeadeiro. Criou a editora objecto cardíaco.

valter hugo mãe prepara uma tese de mestrado sobre Saúl Dias e é licenciado em Direito.

O Prémio Literário José Saramago 2007, instituído pela Fundação Círculo de Leitores destina-se a jovens autores com obra editada em língua portuguesa.

Instituído pela Fundação Circulo de Leitores em homenagem a José Saramago, depois da conquista do Nobel da Literatura, em 1998, o prémio pecuniário desta quinta edição do galardão ascende a 25 mil euros.

Paulo José Miranda, José Luís Peixoto, Adriana Lisboa e Gonçalo M. Tavares foram, nesta sequência, os eleitos pelos júris das anteriores edições do prémio, destinado a jovens autores até aos 35 anos.

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