Filipe de Borbón e a mulher receberam Chaves da Cidade

Príncipe das Astúrias lembra secular relação entre Espanha e Portugal em visita a Beja

Felipe de Borbón e Letizia Ortiz foram os primeiros estrangeiros e receber as Chaves da Cidade de Beja
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Felipe de Borbón e Letizia Ortiz foram os primeiros estrangeiros e receber as Chaves da Cidade de Beja Desmond Boyl/ Reuters

O Príncipe das Astúrias, Felipe de Borbón, destacou hoje os seculares intercâmbios culturais entre Portugal e Espanha, no decorrer de uma visita a Beja onde recebeu as Chaves da Cidade.

O galardão municipal foi entregue aos príncipes depois de uma visita à Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres, considerada um dos mais belos templos barrocos do Sul de Portugal e que, depois de duas décadas fechada, alberga agora o Museu Episcopal.

Numa cerimónia realizada nos Salão Nobre dos Paços do Concelho, o município entregou as Chaves da Cidade a Felipe de Borbón e a Letizia Ortiz, as primeiras individualidades estrangeiras a serem agraciadas com aquele alto galardão municipal.

Trata-se da terceira vez que o município de Beja atribui as Chaves da Cidade, anteriormente entregues, em 1843, à rainha D. Maria II, e, em 1987, ao então Presidente da República, Mário Soares.

Felipe de Borbón agradeceu, em português, as Chaves da Cidade e prometeu voltar a Beja para "trazer de novo o testemunho de fraternidade e estima do povo espanhol".

Numa referência a azulejos da Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres, da autoria do mestre Gabriel Del Barco, estabelecido em Portugal na última década do século XVII, o Príncipe das Astúrias considerou ser um "claro exemplo de uma antiga colaboração que enriqueceu ao longo dos séculos os intercâmbios culturais" entre os dois países.

O presidente da Câmara Municipal de Beja, Francisco Santos, também lembrou as seculares relações luso-espanholas, em particular do Baixo-Alentejo com a Comunidade Autónoma da Andaluzia.

O autarca aproveitou ainda para se referir à utilização de grandes infra-estruturas portuguesas, como a Barragem de Alqueva e o Aeroporto de Beja, considerando que "devem interessar aos agentes económicos e às populações dos dois lados da fronteira".

"O desenvolvimento de Beja e do Baixo-Alentejo passa pela colaboração com Espanha, nomeadamente com a Andaluzia", afirmou Francisco Santos, que defendeu também acessibilidades de qualidade entre Sines-Beja-Espanha, por auto-estrada e ferrovia.

Após um almoço privado no Convento de São Francisco, o Presidente da República, Cavaco Silva, Felipe de Borbón e Letizia Ortiz rumam a Alqueva, onde, às 16h30, presidem à cerimónia de entrega do prémio internacional "Puente de Alcántara" ao aproveitamento hidroeléctrico do empreendimento.

A cerimónia vai contar também com as presenças do Ministro da Agricultura, Jaime Silva, do Infante D. Carlos de Borbón, presidente de Honra da Fundação San Benito de Alcântara (Cáceres, Espanha), que atribui o prémio, e de administradores da Empresa de Desenvolvimento e Infra-estruturas de Alqueva (EDIA).

O prémio destina-se às melhores obras públicas espanholas, portuguesas e ibero-americanas, tendo Alqueva sido o escolhido desta nona edição, juntamente com o aproveitamento hidroeléctrico de Carauchi, na Venezuela.

O júri do concurso, presidido pelo Infante D. Carlos de Borbón, decidiu atribuir o prémio ao aproveitamento hidroeléctrico de Alqueva por considerar tratar-se de uma obra que está "integrada harmonicamente na paisagem".

Por outro lado, destaca o júri, ao criar o maior lago artificial da Europa, Alqueva, que também permitiu a recuperação do acervo arqueológico da região, irá contribuir de forma decisiva para a melhoria socio-económica da região e para o desenvolvimento energético de Portugal.

Após a entrega do prémio, o Presidente da República e os Príncipes das Astúrias inauguram, às 17h00, um Memorial representativo de Alqueva, nas vertentes de projecto, obra, território e objectivos, e uma homenagem a todos os que tornaram possível a obra.