Benfica dependente de Rui Costa deixa escapar vitória no último minuto

"Encarnados" apenas conseguiram mostrar bom futebol na parte final do encontro. Leixões deixou boa imagem na estreia

a Uma equipa dependente de um jogador vive em drama contínuo. É este o estado actual do Benfica, que ontem, após ter conseguido colocar-se em vantagem no minuto 88, acabou por empatar a partida frente ao Leixões, no Estádio do Bessa, casa emprestada do clube de Matosinhos. Com uma exibição colorida mais de cinzento do que de cor-de-rosa, o Benfica conseguiu chegar à vantagem por Petit, mas Nwoko, no último minuto de descontos, fixou o resultado final num empate a um golo. Só Rui Costa não basta.Sem Luisão e Zoro, Fernando Santos viu-se obrigado a recuar Katsouranis no terreno. O resultado foi duplamente negativo: o grego nunca conseguiu transmitir segurança à defesa e a organização de todo o jogo encarnado, com Petit apenas preocupado com as tarefas defensivas, esteve dependente da resistência e inspiração de Rui Costa. O médio benfiquista, ao contrário do que tinha feito a meio da semana contra o Copenhaga, não resolveu sozinho e o Benfica acabou por pagar por isso.
O jogo estava repleto de curiosidades, com o palco do desafio de ontem, onde Fernando Santos nunca tinha vencido, como figura central. O primeiro jogo do Benfica da última época (referente à segunda jornada) realizou-se no Bessa - e também não deixou saudades: derrota contra o Boavista por 3-0. A última vitória do Leixões frente ao Benfica foi na longínqua temporada de 1975/76. Onde? No Estádio do Bessa! O último jogo entre os dois clubes, em 2005, foi para a Taça de Portugal. O cenário voltou a ser o Bessa, e o Benfica acabou por vencer por 2-1.
Com o recuo de Katsouranis para central, Fernando Santos mexeu no esquema da equipa. Apesar de manter o 4x4x2 habitual, o treinador do Benfica prescindiu do losango, optando por jogar com dois extremos: Nuno Assis (na esquerda) e Luís Filipe (na direita). No entanto, nem Nuno Assis tem as características (e qualidade) que tem Simão, nem Luís Filipe (agora mais rotinado em funções defensivas) se entendeu com Nélson no lado direito.
Num dia histórico para o clube, que regressava ao principal escalão 18 anos depois, o Leixões acabou por deixar uma boa imagem. Com uma equipa bem organizada, que conta com a inteligência de Paulo Machado no meio-campo, a irreverência de Vieirinha nos flancos e o instinto goleador de Roberto na frente, o Leixões acabou por merecer ser feliz.
A primeira parte começou com o Benfica a mandar no jogo, mas sem criar ocasiões de perigo. O Leixões, que dava a iniciativa da partida ao adversário, começou aos poucos a subir no terreno e seriam dos matosinhenses as melhores ocasiões de golo por Roberto (24") e Paulo Machado (29" e 32").
O segundo tempo parecia mais do mesmo, mas as entradas de Bergessio e Fábio Coentrão mexeram com o futebol encarnado. Começaram a surgir as ocasiões de golo junto da baliza de Beto e, aos 88", após um canto, Petit desviou da melhor forma ao segundo poste inaugurando o marcador. Parecia que a primeira vitória de Fernando Santos no Bessa estava assegurada, mas o nigeriano Nwoko, no último suspiro leixonense, manteve a tradição.
Leixões 1
Benfica 1
Jogo no Estádio do Bessa, no Porto.
Assistência cerca de 15000 espectadores
Leixões Beto 6; Marco Cadete 5, Elvis 6, N. Diogo 6, Ezequias 6; P. Machado 7, B. China 6, P. Cervantes 5 (Hugo Morais -, 85"); Vieirinha 6, J. Gonçalves 5 (Nwoko 6, 72"), Roberto 6 (T. Schutz 4, 78").
Benfica Quim 6; Luís Filipe 5 (F. Coentrão 5, 70"), David Luiz 6, Katsouranis 5, Léo 6; Petit 6, Nuno Assis 5 (Andrés Diaz -, 90"), Nélson 4, Rui Costa 6; N. Gomes 4 (Bergessio 5, 56"), Cardozo 5.
Árbitro: Jorge Sousa 7, do Porto.
Amarelos: Roberto (57"), Nuno Assis (67"), Rui Costa (90").
Golos: 0-1, por Petit, aos 89"; 1-1, por Nwoko, aos 93".