O cardeal norte-americano Sean O"Malley, arcebispo de Boston, foi o convidado para presidir às celebrações

Fátima espera milhares de peregrinos migrantes

Passam 90 anos sobre o fenómeno
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Passam 90 anos sobre o fenómeno Enric Vives-Rubio/PUBLICO (arquivo)

Hoje e amanhã, Fátima recebe os peregrinos migrantes - os emigrantes portugueses que chegam de todas as partes do mundo para passar férias e os imigrantes que trabalham em Portugal - para mais uma peregrinação que marca uma das datas em que os católicos assinalam o aparecimento da Virgem Maria a três pastorinhos, na Cova de Iria.

Passam 90 anos sobre o fenómeno e o Santuário de Fátima celebra a data com a Peregrinação Internacional do Migrante e Refugiado.

Também hoje começa a Semana Nacional de Migrações, promovida pela Comissão Episcopal da Mobilidade Humana (CEMH), que este ano é dedicada à família como "santuário da vida, amor e identidade".

Anualmente, esta é a 35.ª peregrinação dedicada aos migrantes e refugiados, a CEMH organiza as cerimónias e actividades dedicadas às migrações e convida um bispo que esteja ligado a essa intenção para presidir às celebrações. Este ano, o escolhido foi o cardeal norte-americano Sean O"Malley, arcebispo de Boston, Massachussetts, uma região onde vivem muitos emigrantes e luso-descendentes.

"Este ano voltámo-nos para os nossos emigrantes e privilegiamos os da América do Norte, um destino muito forte, mas onde há emigrantes em situação de ilegalidade, e por isso convidámos o arcebispo de Boston. D. Sean O"Malley fala bem português e conhece bem a realidade dos nossos emigrantes", explica por correio electrónico D. António Vitalino, bispo de Beja e presidente da CEMH ao PÚBLICO.

Em 2003, o Papa João Paulo II escolheu D. Sean O"Malley para suceder a Bernard Law, o cardeal que encobriu o escândalo de pedofilia na diocese de Boston. A diocese foi obrigada a pagar indemnizações no valor de 61 milhões de euros a mais de 500 alegadas vítimas de padres pedófilos.

Ainda durante esta semana das migrações, a CEMH pretende celebrar "a gratidão sincera" para com os países do continente americano que acolhe os emigrantes portugueses; e também "estreitar os laços de comunhão bilateral e intensificar a cooperação missionária entre as CEMH de Portugal e dos EUA", diz a Agência Ecclesia.

A Obra Católica Portuguesa de Migrações lembra que, no continente americano, a comunidade portuguesa é "muito activa na vida religiosa, associativa, económica e política". Contudo, apesar da boa integração, atravessa dificuldades. "Pense-se na precária e instável situação sociopolítica da Venezuela e da Argentina, nas famílias em situação de deportação no Canadá e nos EUA", refere no seu site na Internet. Estima-se que no continente americano vivam cerca de três milhões de portugueses, sem contar com os luso-descendentes.

O ano passado, a peregrinação foi dedicada aos imigrantes da Europa de Leste e foi convidado um bispo greco-católico da Ucrânia, lembra D. António Vitalino.