Tratado de Tordesilhas para ver dez anos depois da Expo

600 a O Tratado de Tordesilhas, que em 1494 estabeleceu os termos da divisão do Novo Mundo entre Portugal e Espanha, foi mostrado pela última vez durante a Expo "98. A partir de hoje integra a exposição com que a Torre do Tombo assinala a sua entrada na lista Memória do Mundo, da UNESCO, há um mês, a par de 83 mil outros manuscritos nacionais dos séculos XII a XVII conhecidos como Corpo Cronológico.
Segundo Silvestre Lacerda, director do antigo Instituto dos Arquivos Nacionais/Torre do Tombo, agora Direcção-Geral de Arquivos, esta mostra, em que o tratado é apresentado com oito desses 83 mil documentos nunca antes expostos, antecipa uma exposição a inaugurar em Setembro em que o tratado português e o seu duplo espanhol estarão juntos pela primeira vez desde a Expo-92 de Sevilha. A mostra de hoje é inaugurada às 15h30 pela ministra da Cultura, na assinatura de um protocolo através do qual a Rede Eléctrica Nacional oferece 600 mil euros à Direcção-Geral de Arquivos para restauro e digitalização de documentos relativos à Inquisição de Lisboa.
Candidatura conjunta de Espanha e Portugal, o Tratado de Tordesilhas, cujo original português está no Arquivo Geral das Índias, em Sevilha - a Torre do Tombo tem a versão castelhana, que agora se mostra -, é a segunda entrada portuguesa na Memória do Mundo. Desde a criação do programa, há 15 anos, apenas a carta de Pêro Vaz de Caminha chegou à lista que inclui, por exemplo, a partitura original da 9.ª Sinfonia de Beethoven - este ano, com o tratado, entraram bens internacionais tão díspares como o filme O Feiticeiro de Oz e as actas do processo judicial contra Nelson Mandela.
Sem qualquer atribuição financeira, a Memória do Mundo dá visibilidade, mas é, antes de mais, uma questão de reconhecimento que "implica sobretudo obrigações", por exemplo a nível de conservação, diz Fernando Andresen Guimarães, presidente da comissão nacional da UNESCO.
Tanto o tratado como o Corpo Cronológico estão normalmente na casa-forte da Torre do Tombo. O Corpo Cronológico, organizado entre 1756 e 1764, é composto por cartas, diplomas e mercês considerados fundamentais para o estudo dos Descobrimentos e da expansão europeia. Entre os oito documentos do conjunto a expor agora está um alvará de D. João II datado de 1488 que torna Damux Bemfara em Alcaide de Safim, um dos raros documentos oficiais escritos em português e árabe.
mil euros
é o valor do apoio mecenático que a Rede Eléctrica Nacional
dará hoje à
Direcção Geral de Arquivos