Suplementos para ajudar a estudar nem sempre se vendem mais na fase de exames

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Os suplementos são de venda livre Rui Gaudêncio/PÚBLICO

Apesar de as montras de farmácias e afins estarem, por estes dias, repletas de publicidade a produtos que prometem pôr a render os neurónios, os dados existentes (para 2007, os últimos disponíveis reportam-se a Abril) não permitem concluir que sejam os estudantes em vésperas de exames o principais clientes destes suplementos.

Segundo a IMS, em 2006, por exemplo, os meses melhores, em termos de vendas, foram Novembro (78.687), Maio (78.231) e Agosto (76.505). No ano anterior, com dados disponíveis só a partir de Maio, foi Junho que liderou (76.057), seguido por Setembro (71.440).

O boom de produtos do género - cada vez há mais - é uma das razões pelas quais se torna difícil fixar uma tendência sazonal de consumos, explicam farmacéuticos contactados pelo PÚBLICO - o aumento de vendas, a registar-se, dilui-se na diversidade de suplementos. Outra razão apontada, e que, aliás, justificará a multiplicação da oferta, tem a ver com a também maior diversificação de clientes. "Procuram todo o ano. É do stress em que as pessoas vivem. Cada vez mais", resume a responsável de uma farmácia do Saldanha. Mas existem discrepâncias entre os números e a percepção de quem atende o público. Dizem eles que nestas alturas de exames há sempre um "aumento, mesmo que ligeiro". Por vezes nem é tanto de vendas, mas de pedidos de informação, quase sempre a cargo dos pais.

Evitar fadiga precoce

E resulta? Não substituem uma alimentação saudável e completa, mas podem ajudar a fazer diferença. É esta a opinião de Ana Paula Marum, médica no Instituto de Bioterapia Angelo Lucas - são uma forma de evitar a chamada "fadiga precoce" em alturas de "maior exigência e desgaste" e uma ajuda à "concentração e ao rendimento escolar". Alguns exemplos de "boas" substâncias: lecitina de soja, DHA (ácido gordo contido no óleo de peixe), vitaminas do complexo B.

Todos estes suplementos são de venda livre. As transacções efectuadas pelas parafarmácias totalizaram, em Abril, quatro milhões de euros (no total, as vendas dos medicamentos não sujeitos a receita rondam os 250 milhões). Segundo dados da companhia internacional ACNielsen, naqueles espaços a categoria campeã de vendas é a das vitaminas e complementos nutricionais, com uma fatia de 43,8 por cento. Mais de metade ocupada por produtos para emagrecer. A forma bate o cérebro.