Crítica

O Meu Tio

"O Meu Tio" (1958) está entalado entre as duas obras máximas de Tati - "As Férias do Senhor Hulot" (1953) e "Playtime - Vida Moderna" (1967) - e isso percebe-se no seu movimento de vai-vem entre os universos de ambos os filmes.

Tati ancora esta nova aventura do sr. Hulot na"pequena França" pitoresca e humana, colorida e terrestre, que encanta o seu sobrinho fantasista, mas que está já à beira da demolição para dar lugar ao modernismo impessoal e futurista reflectido nasofisticadíssima (e cinzentíssima) casa do cunhado. Talvez por fazer a "ponte" entre um passadoreconfortantemente colorido e um futuro perigosamente asséptico, "O Meu Tio" seja um filme de transição - é, claramente, um primeiro "esboço" de "Playtime" ainda demasiado "agarrado" à sátira certeira das "Férias...". Relativizemos, paradoxalmente: é um Tati "menor" de um cineastaque não tem filmes menores.