André Guedes é o inesperado vencedor do Prémio União Latina 2007 com 7500 euros para as artes plásticas

a Não era um candidato evidente pelo que a vitória surge como dupla surpresa. André Guedes, de 36 anos, foi anunciado ontem como novo vencedor do Prémio União Latina (7500 euros), um dos mais prestigiados prémios para as artes plásticas em Portugal. Ao contrário de outros candidatos e da maioria dos anteriores vencedores, o artista, que começou a expor em 1999, tem feito um percurso relativamente discreto, apesar de já ter exposto no Museu de Serralves, Porto, e no Palais de Tokyo, Paris.
Numa breve nota, o júri destaca "a contemporaneidade" de um trabalho que "mostra características, temáticas e problemáticas muito relevantes para os tempos em que vivemos". O trabalho em questão é a instalação habitada Amanhã Hoje - fica até 13 de Maio na Culturgest-Lisboa, na exposição de candidatos. A obra recontextualiza no espaço da Caixa Geral de Depósitos (CGD) dedicado às artes os bastidores institucionais do banco: na exposição, quatro arquivistas organizam parte do espólio documental de uma empresa extinta, o Banco Nacional Ultramarino, incorporado pela CGD em 2001. André Guedes aborda assim questões ligadas à memória e à sua organização. Trabalha também os anacronismos decorrentes da sugestão da coexistência de diferentes tempos num mesmo espaço e momento - o passado (evocado por todos os materiais manuseados pelos arquivistas), o presente (tempo da acção) e o futuro (sugerido por um calendário adiantado um dia).
Para o júri, foi importante a relação da obra com o público, a "surpresa" da colocação dos arquivos fora do seu local "normal" e a recuperação de materiais tornados inúteis "mas que voltam a ser activados pela economia simbólica da arte". Os candidatos ao prémio - Alexandre Estrela, Sancho Silva e a dupla João Maria Gusmão e Pedro Paiva - foram seleccionados por um júri português composto pelos críticos e comissários Isabel Carlos, Miguel von Hafe Pérez, Nuno Faria, Ricardo Nicolau e Sérgio Mah.
O vencedor foi escolhido por um júri internacional composto por Jorge Molder, artista e director do Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, Eva González-Sancho, directora do FRAK Bourgogne, Manuel Oliveira, director do Centro Galego de Arte Contemporânea de Santiago de Compostela, Marianne Lanavère, directora da Galérie Noisy-le-Sec, França, e Sónia Campagnola, editora da revista FlashArt.
É também uma vitória para a Lisboa 20 Arte Contemporânea, galeria que se tem dedicado a novos nomes e que vê um dos seus artistas ser premiado no União Latina pela segunda vez consecutiva, depois da vitória de Bruno Pacheco em 2005 - Sancho Silva, outro dos candidatos, é também representado pela Lisboa 20.