Investigação já identificou a origem da patologia

Universidade de Coimbra estuda novos fármacos para combater a “doença dos pezinhos”

Para experimentar os fármacos potenciais é necessário uma nova bateria de testes em laboratório
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Para experimentar os fármacos potenciais é necessário uma nova bateria de testes em laboratório Nelson Garrido/PÚBLICO (arquivo)

Uma investigação em curso na Universidade de Coimbra permitiu caracterizar os mecanismos moleculares que originam a "doença dos pezinhos" e está a avançar na pesquisa de novos fármacos para combater a progressão da patologia, foi hoje anunciado. Em Portugal há mais de 500 famílias afectadas e perto de dois mil doentes sintomáticos.

"É crível que daqui a cinco ou dez anos possa haver fármacos para esta doença, fruto do esforço do nosso e de outros grupos", disse hoje o coordenador do projecto, Rui de Brito, do Departamento de Química da Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCTUC).

Conhecida por "doença dos pezinhos", a Polineuropatia Amiloidótica Familiar (PAF) é uma patologia rara hereditária, geralmente fatal, que tem como base a deposição de agregados da proteína Transtirretina (TTR) no sistema nervoso periférico, sendo o transplante hepático o único tratamento possível.

De acordo com Rui de Brito, a investigação internacional que coordena permitiu construir um modelo estrutural computacional para os agregados anómalos, tóxicos, sendo esta uma das contribuições originais da equipa para a pesquisa desta doença.

Outra área complementar desenvolvida pelos investigadores da FCTUC é o estudo de compostos farmacológicos que, em simulações computacionais, "parecem promissores na estabilização das quatro componentes iniciais da proteína TTR", inibindo os processos anómalos subsequentes, que levam à deposição da substância amilóide no sistema nervoso periférico.

"Encontramo-nos numa fase em que temos um entendimento dos mecanismos moleculares que levam à formação dos agregados na proteína e estamos a tentar encontrar compostos que desestabilizem essas formações anormais ou que levem o organismo a eliminá-las".

Para experimentar estes potenciais fármacos é necessário ainda uma nova bateria de testes em laboratório, lê-se numa nota da FCTUC.

Na investigação, iniciada em 1997, estão envolvidos ainda cientistas da Universidade de Leeds e do FMP-Berlim (Instituto de Farmacologia Molecular), entre outras instituições.

Póvoa de Varzim, Vila do Conde, Esposende, Figueira da Foz e Unhais da Serra - Pampilhosa da Serra são as regiões de maior incidência relativa da "doença dos pezinhos".