Órgão do CDS-PP reúne-se no sábado em Torres Novas

Ribeiro e Castro aceita ir a directas se Conselho Nacional assim o entender

Ribeiro e Castro voltou a deixar fortes críticas a Paulo Portas, acusando-o de encabeçar "a oposição interna"
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Ribeiro e Castro voltou a deixar fortes críticas a Paulo Portas, acusando-o de encabeçar "a oposição interna" Sérgio Azenha/PÚBLICO (arquivo)

O líder do CDS-PP, José Ribeiro e Castro, disse hoje que aceita disputar eleições directas imediatas, como pretende Paulo Portas, se for essa a vontade "da maioria" do Conselho Nacional, que se realiza sábado, em Torres Novas.

"Se, como ninguém entenderia agora que fosse de outro modo, a maioria do Conselho Nacional concretizar esse caminho como facto consumado, a minha determinação é também de disputar essas directas, em nome da moção '2009'", afirmou Ribeiro e Castro, numa declaração sem direito a perguntas.

Na declaração, o dirigente popular lembrou que já tinha manifestado abertura à disputa de eleições directas "como deve ser", ou seja integradas nos estatutos do partido por via de um congresso.

"Faltava-me só dizer o que faria nesta indesejável situação anómala, que foi criada, de ataque à estabilidade mínima e ao institucionalismo do partido e das suas normas", disse, antes de anunciar que aceitaria disputar essas directas.

Ainda assim, o presidente do partido sublinhou os "sérios inconvenientes e danos" deste tipo de solução e considerou "imprópria" a decisão do Conselho de Jurisdição que, na semana passada, deu razão às pretensões de Portas dizendo que é possível o Conselho Nacional decidir pela realização de directas, com posterior Congresso ratificativo.

Ribeiro e Castro lamentou que a decisão do órgão jurisdicional tenha apagado "o significado e valor jurídico" do requerimento assinado por mais de mil militantes e que obrigaria, segundo os estatutos, à convocação de um Congresso. "Não a recomendo, nem a posso seguir", frisou.

Numa declaração em que surgiu ladeado por doze dos seus dirigentes, Ribeiro e Castro defendeu que depois das "tropelias processuais" será a política o centro da discussão no futuro do partido. "O Conselho Nacional decidirá o que entender sobre o processo que se irá seguir no imediato", salientou.

Ribeiro e Castro nunca se referiu aos vários recursos que estão a ser interpostos por militantes sobre o parecer do Conselho de Jurisdição nem esclareceu o que fará se uma solução do Conselho Nacional a favor das directas vier a ser alvo de impugnação. No entanto, salientou que não irá apagar "o valor político substancial da directa manifestação de vontade dos militantes".

"Como presidente do CDS, o gesto das bases constitui a responsabilidade mais incontornável: não abandono esses ou outros militantes, de que sou também um, nem concorro para o atropelo dos seus direitos", disse.

O líder democrata-cristão voltou a deixar fortes críticas ao ex-presidente do partido Paulo Portas, acusando-o de encabeçar "a oposição interna". "Atingiu a estabilidade dos órgãos dirigentes e quebrou o respeito dos mandatos (...) Além disso, o dr. Paulo Portas intimou a mudança imperativa das regras no meio da crise política que ele próprio abriu", considerou.

Para Ribeiro e Castro, "não pode haver maior abalo a uma instituição" do que "um ataque político misturado com um golpe estatutário".

Ribeiro e Castro alertou ainda que as eleições - quer directas quer dos delegados ao Congresso - terão de ser organizadas "de forma exemplarmente democrática e transparente, com a maior e justa representatividade, integral respeito da lei dos partidos e plenas garantias de seriedade". "Só isso poderá recuperar o prestígio do partido", rematou.